Palavras são substituídas por fotografias, números de telefones são substituídos pela cara do dono, ícones de programas e arquivos são imagens. Comandos de aparelhos viram imagem e palavras rareiam em placas, propagandas e filmes! Isto requer que saibamos analisar, criticar e produzir imagens. Com celular fotografa-se o que comprar no mercado quanto a modelo, cor e etc: não se anota mais nada!
As mudanças são rápidas. O professor disse: isto é do tamanho de um LP, não entenderam. Mostrou um carrossel de slides aos mestrandos: -Não temos a menor ideia do que seja isso! Orgulhoso, o cara saiu com capinha de celular imitando fita K-7: não gostou, ninguém notava e descobriu que ninguém mais sabia o que era aquilo! Adolescentes: nossa, meu pai disse que antigamente usava o orkut, já meu tio gostava do facebook, que ultrapassados! Nem Datena e Ratinho usam mais! Imaginem se falar com eles sobre telegrama e telex!
Perguntei para futuros mestres e doutores: -Como escolhem uma máquina fotográfica? -Pela resolução! -Como assim, retruquei? -Pelo número de megapixels! -E o que é pixel? -Não sabemos! -Como se chama o projetor que estamos usando? -Sony. Isto é marca, o projetor é multimídia. E o que é mídia? Não sabiam. Saí da sala, mas não para tentar o suicídio, apenas era hora do intervalo. Os jovens inovam, inventam e criam, mas no caminho perdem conhecimento, profundidade e capacidade de reflexão: sempre foi assim, não está acontecendo apenas com esta geração! Quando chegam aos 35, olham para trás e voltam pegando o que caiu pelo caminho: às vezes acham, às vezes só lembranças!
Na volta continuei instigando: por que fotografia “digital”? Nossa, me deram cada explicação, menos a pertinente e retrucaram: por que estas perguntas? Para saber o que sabem minimamente e agora posso ter um ponto de partida, mas temos que deixar claro que as coisas aqui me parecem invertidas: eu deveria não saber estas coisas e vocês me ensinarem, afinal, quem são os jovens desta sala?
A luz passa pelas lentes e na parte traseira da máquina tinha uma película de plástico sobre a qual se aplicava uma emulsão ou gelatina permeada de cristais ou grãos de prata: essa tira de plástico um dia foi conhecida como filme fotográfico. Entre a lente e o filme tem uma cortina super rápida ou obturador que abre e fecha quando tiramos a foto: ela que faz o clic! A luz entra e sensibiliza ou marca quimicamente os imperceptíveis cristais de prata. No laboratório escuro, produtos químicos tiram os cristais não sensibilizados, deixam os marcados pela luz e assim forma-se a fotografia. A lente é o cristalino do olho, o filme nossa retina, e a pálpebra, o obturador. Na retina, a imagem é formada quimicamente.
Nas máquinas digitais, a luz atravessa as lentes e chegam no filme formado por um sensor retangular cheio de células fotoelétricas que captam diferentes intensidades de luz e as transformam em números, sendo assim armazenadas. O computador transforma tudo em dois números: zero e um. Não existe letra A no computador, mas sim um código tipo 10011. Da combinação destes dois dígitos se codifica tudo. Tudo vira número, tudo se “digitaliza”! Esta é a diferença: na foto convencional a imagem é química, na digital são registros em dígitos. Antes de aparecer na tela, os números são convertidos de novo em imagens. O nosso DNA usa 4 letras para as combinações, o computador usa 2 dígitos apenas.
Nas fotos convencionais, cada ponto da imagem são cristais de prata. Na digital, cada ponto da imagem representa uma combinação numérica e se chama elemento de figura, ou “Picture Element”, ou Pixel. Quanto mais pontinhos tem uma imagem, mais perfeita será em mostrar detalhes mínimos: assim era na convencional e ainda o é na fotografia digital. Quanto mais pixel na foto, mais ampliada poderá ser! Se não for para ampliar a foto além dos 10cm x 15cm, para que tantos pixels?
Fotografia é o registro da luz e ela pode ser mais ou menos intensa e atuar por mais ou menos tempo: pode ser controlada pelas lentes e máquinas, mas isto é outro ponto desta história. Hoje queria apenas explicar o que é pixel e que as fotografias atuais são um harmonioso conjunto de dois dígitos; fomos estimulados pela frase do húngaro Lászlo Moholy-Nagy, que em 1936 afirmou: “No futuro não serão considerados analfabetos apenas aqueles que não souberem ler, mas também os quem não entenderem o funcionamento de uma máquina fotográfica”.
O mundo é fotodependente!
Observatório
Células reservas? - A empresa Techlife, ligada à CordCell, está oferecendo uma “poupança da beleza” que consiste em guardar fibroblastos e outras células da pele para utilizá-las em futuros tratamentos estéticos como correção de rugas e outras depressões na pele. O fragmento retirado de regiões não expostas ao sol para evitar mutações do sol tem suas células cultivadas em laboratório e, se um dia precisar, são reinjetadas. Os resultados não são garantidos e nem validados no Brasil, embora autorizado em alguns países. Apesar de resultados promissores em pesquisas no exterior, o procedimento sofre muitas restrições de estudiosos que afirmam ser uma “aposta totalmente sem garantias”. O CFM destaca que se deve ter muito cuidado em dar esperanças aos pacientes com protocolos usando-se células-tronco ou de reserva, pois não se tem protocolos terapêuticos indicados e autorizados ainda para uso clínico, apenas experimentais.
Livro de sucesso - Era impossível prever o sucesso de público de um livro. Era! Cientistas da Universidade de Stony Brook em Nova York criaram um programa de computador com base em algoritmo e fizeram uma previsão com 84% de acerto se os leitores iriam gostar da obra. O método quantitativo não depende da análise qualitativa de críticos em literatura segundo a Prof. Yejin Choi. São analisados o léxico, gramática e o tipo de escrita para se chegar ao veredito final de sucesso ou não. Os clássicos e campeões de venda foram submetidos e os resultados coincidem com os índices de venda de livros na Amazon. Curioso: os de maior sucesso são os que tem muitas conjunções como “e” e “mas”. Os verbos mais favoráveis às vendas foram “reconheceu” e “relembrou”. Outros termos campeões: eu, meu, uma vez que, quem e apesar de. Nos “encalhados” as palavras campeãs foram: pegou, quis e prometeu.