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Caso Thaís abre discussão sobre diagnóstico preciso

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação

Thaís morreu de infecção generalizada no último sábado

Foram quatro dias e quatro idas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Geisel/Redentor até que um médico suspeitasse que Thaís Cini Lima, 19 anos, estava com apendicite. Com a demora, a paciente só foi submetida à cirurgia quando o apêndice já estava rompido, e, no último sábado, acabou morrendo devido a uma infecção generalizada.

A morte da jovem levantou o debate sobre a importância do diagnóstico preciso e em tempo hábil para poupar vidas. No caso de Thaís, autoridades e especialistas são unânimes em dizer que, se a cirurgia tivesse sido realizada antes, ela teria grandes chances de estar viva.

A Secretaria Municipal de Saúde ponderou que o quadro inicial da paciente –  que apresentava dor abdominal, diarreia e vômitos – era sugestivo para diversas doenças, o que dificultou o diagnóstico correto e imediato. Mas a sintomatologia inespecífica não explica tudo.

O município enfrenta dificuldades para contratar médicos – pouco atraídos pelos salários oferecidos – e os que aceitam atuar na linha de frente da saúde pública acabam atendendo um número elevado de pacientes todos os dias.

Em matéria publicada pelo JC em meados do ano passado, a marca chegava a 78 pacientes para cada profissional que cumpria plantão durante 24 horas nas unidades de pronto atendimento.

“Em função deste volume elevado de atendimentos prestados nestas unidades, os médicos, sobrecarregados, acabam não realizando os exames clínico e físico detalhados, que seriam necessários para o diagnóstico adequado”, observa o conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Carlos Alberto Monte Gobbo.

Postura ativa

Na página do Jornal da Cidade no Facebbok, leitores relataram as dificuldades enfrentadas na rede pública para ter uma avaliação médica precisa. Ao menos seis eram pacientes ou viveram o drama de parentes que tinham apendicite, mas receberam diagnósticos diversos, como cólica menstrual, gases, virose e indisposição estomacal.

Por este motivo, quando houver demora para o encaminhamento adequado ou mesmo diante da persistência dos sintomas que sugiram diagnóstico errado, a recomendação é não aceitar passivamente o atendimento prestado. A melhor saída é reclamar do serviço junto à diretoria do Departamento de Urgência e Emergência, à ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde, ao próprio Cremesp ou até à Justiça.

“Vale lembrar que a apuração da responsabilidade criminal ou civil, no entanto, só vai ser concluída posteriormente pela Justiça, no longo prazo. O importante é a pessoa tentar resolver imediatamente aquela dificuldade e isso se faz acionando o chefe do departamento responsável ou outra autoridade de saúde”, orienta o promotor de Defesa da Cidadania e Patrimônio Público de Bauru, Fernando Masseli Helene.

Uma segunda alternativa, se for o caso, é procurar outra unidade de saúde para ter mais uma opinião médica, já que os profissionais, por mais capacitados e dispostos que sejam, estão sempre sujeitos a cometer equívocos. Procurada pela reportagem, a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Williana de Fátima Oja, preferiu não se manifestar sobre o assunto no momento.


Protesto

A família de Thaís Cini Lima planeja realizar um protesto, no próximo sábado, em frente à Unidade de Pronto Atendimento do Geisel/Redentor.

Segundo o cunhado da jovem, Fábio de Oliveira, 28 anos, a manifestação pretende ser pacífica e reunir amigos, parentes e usuários insatisfeitos com o atendimento prestado pela rede pública de saúde. 

“O horário ainda não está definido, mas queremos mobilizar o máximo de pessoas possível, porque o que aconteceu com a Thaís já aconteceu e vai continuar acontecendo com outras pessoas se ninguém fizer nada”, lamenta.


Cremada

Thaís morreu na manhã do último sábado, depois de permanecer por seis dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. Segundo relato do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, a paciente procurou atendimento médico da UPA do Geisel/Redentor nos dias 28, 29 e 30 de janeiro e 1 e 2 de fevereiro.

No dia 2, ela foi transferida para o Pronto-Socorro Central e, depois de assinar a própria alta, retornou à noite à unidade. Com o quadro bastante agravado, foi transferida para o HB e submetida a duas cirurgias, sem conseguir sair com vida da UTI.

No sábado, cerca de 500 pessoas compareceram ao velório de Thaís, no Centro Velatório Terra Branca. O corpo será cremado hoje, no Crematório Regional Jardim dos Lírios, conforme o desejo da jovem. O horário não havia sido definido até o fechamento desta edição.


 

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