Éder Azevedo |
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Servidores consertam rompimento de adutora na quadra 5 da Comendador |
Quatro dias após ser consertada, a adutora nas imediações da avenida Comendador José da Silva Martha voltou a romper na madrugada de ontem. Desta vez, o problema com a tubulação ocorreu na altura da quadra 5 e prejudicou o abastecimento do reservatório do Departamento de Água e Esgoto (DAE) próximo à Praça Portugal.
Por conta do problema, cerca de 80 mil moradores dos bairros abastecidos pelo rio Batalha – Altos da Cidade, Centro, Jardim Estoril, Jardim América, Jardim Europa, Vila Universitária, Jardim Panorama, Shopping e Jardim Aeroporto – ficaram sujeitos à falta de água ontem.
O DAE finalizou às 11h50 o conserto na adutora de 14 polegadas e a normalização no abastecimento ocorreria somente na madrugada de hoje.
A adutora em questão, contudo, não é a única reincidente no problema, que foi registrado na cidade pelo menos quatro vezes em menos de um mês.
No último sábado, o rompimento de uma tubulação do mesmo tipo, na Quinta da Bela Olinda, deixou parte da zona norte com o abastecimento prejudicado. A adutora já havia passado por reparo em meados de janeiro.
Explicação?
Sobre a sequência de rompimentos, o DAE informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as quebras decorrem do aumento da pressão da água na tubulação frente ao consumo elevado.
Além disso, a autarquia aponta o desgaste da tubulação, considerada antiga, como explicação para os problemas consecutivos.
“As adutoras em questão são feitas de fibrocimento. São tubulações antigas e que, com o passar do tempo, acabam rompendo, ainda mais nessa época de calor, quando o consumo aumenta muito”, diz a assessoria. As tubulações em questão foram implantadas há 40 anos.
Troca
Para tentar solucionar esse problema, o DAE tem trocado as tubulações rompidas – cada adutora possui em média 3 metros de extensão – por um material composto de barra de ferro dúctil.
A troca, entretanto, abrange apenas a tubulação danificada, dentro de um raio de quilômetros de tubos que formam a adutora que transporta a água. Isso significa que Bauru continuará sofrendo, por muitos anos, com o desabastecimento por conta do rompimento de adutoras.
Impotência
O presidente do DAE, Giasone Cândia, reforça ainda a sensação de impotência da autarquia frente ao problema.
“Não temos condições financeiras e nem de pessoal para trocar as adutoras de fibrocimento pelo material mais resistente. Essa seria uma conta milionária, teríamos que dispensar todo nosso orçamento só para isso. A cidade cresceu muito, mas não houve planejamento”, comenta Giasone, não descartando, contudo, estudos para a futura troca. “Temos planos, mas não existe prazo”, completa.
Histórico
O primeiro problema na adutora da avenida Comendador José da Silva Martha registrado neste ano foi na altura da quadra 30 da via.
A tubulação em questão possui 14 polegadas e é responsável por levar a água da Estação de Tratamento e Esgoto (ETA), localizada próximo ao Recinto Mello Moraes, até a unidade de reservação nomeada como T1 pela autarquia, próximo à Praça Portugal.
Já o segundo rompimento ocorreu por volta das 4h de ontem. O mesmo problema ocorreu no último sábado na adutora que interliga o poço Lotes Urbanizados ao reservatório Zona Norte, na quadra 5 da rua Licurgo Vieira, na Quinta da Bela Olinda.
A tubulação em questão já teria registrado problema em 14 de janeiro, oportunidade em que os milhares de moradores do Pousada da Esperança I e II, Vila São Paulo, Residencial Nova Bauru, Núcleos Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), Isaura Pita Garmes (Bauru I), Jardim TV, Jardim Ivone, Mirante da Colina e Quinta da Bela Olinda também ficaram desabastecidos.
Vazamentos
Na última sexta-feira, o DAE realizou, em um mutirão formado por 60 funcionários, 65 reparos de vazamentos de água na zona noroeste da cidade.
Bairros como o Núcleo Habitacional Mary Dota, Parque Vista Alegre, Quinta da Bela Olinda, Vila São Paulo e Pousada da Esperança foram beneficiados.
A operação continuará amanhã, das 7h às 17h, na mesma região. Nos demais dias da semana, as equipes responsáveis por cada setor da cidade irão suprir as demandas realizando manutenções diárias nas redes de água e esgoto.
Falta lá também
Enquanto a zona sul enfrenta problemas de desabastecimento por conta do rompimento da adutora, um morador do Núcleo Gasparini, região leste de Bauru, reclamava ontem da falta d’ água que acometeria o bairro desde a noite do último sábado.
“Não temos como lavar nem um copo ou usar o banheiro. Além de morar aqui, também sou proprietário de um bar. Estou perdendo meus fregueses por causa disso”, reclama o comerciante Paulo Roberto Ramos, 46 anos, morador da quadra 1 da rua dos Ferroviários.
‘Não tomo banho há dois dias’
Allan Luis da Silva, 21 anos, vive na quadra 1 da rua dos Serventes, no Núcleo Residencial Gasparini, desde que nasceu. Na sexta-feira, o desabastecimento assolou a região e, na tarde de ontem, moradores queimaram pneus e colchões em uma manifestação contra a falta d’água.
Silva protestou de uma forma diferente. Sem tomar banho há dois dias por conta do desabastecimento, ele ajudou a queimar os pneus e os colchões no cruzamento da avenida dos Lavradores com a rua dos Sapateiros vestindo apenas uma toalha de banho. “Eu preciso tomar um banho, já estou cheirando mal”, brinca.
Em nota, a assessoria de imprensa do DAE informou que técnicos da autarquia estiveram no local e constataram que a distribuição do líquido estava comprometida. Porém, o reservatório do Gasparini estava em sua capacidade máxima ontem – 20 metros de coluna de água.
Diante disso, dois servidores da Divisão Técnica do departamento estiveram na região ontem à tarde para verificar se havia algum vazamento que impedisse a chegada da água nos locais afetados. Logo que o problema for identificado, a autarquia prometeu resolver o problema o mais rápido possível.
Serviço
O DAE disponibiliza caminhões-pipa por meio do telefone 0800-7710195, que recebe ligações apenas de telefone fixo, ou 3235-6140 para ligações feitas por aparelho celular.
