Fernando Frazão/Agência Brasil |
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Homenagem no Paraná - Jornalistas de Curitiba (PR) realizaram ontem um ato na Boca Maldita, centro da cidade, em homenagem ao cinegrafista da Rede Bandeirantes, Santiago Andrade, morto devido às consequências de ser atingido por um rojão durante um protesto no Rio de Janeiro. Participaram da manifestação cinegrafistas e repórteres fotográficos. O ato foi convocado pelo Facebook, pela Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Paraná e pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná. |
Dezesseis policiais, agentes do serviço de inteligência e o Disque-Denúncia foram mobilizados ontem na busca pelo manifestante Caio Silva de Souza, 23 anos.
Souza teve prisão preventiva decretada na noite de anteontem. Ele é o principal suspeito de ter aceso o rojão que atingiu e matou o cinegrafista Santiago Andrade, 49 anos, da TV Band.
Ontem à noite, o rapaz já era considerado foragido. A polícia informou que ele trabalha como auxiliar de serviços gerais no hospital estadual Rocha Faria, em Campo Grande, zona oeste do Rio.
Mais cedo, o Disque-Denúncia divulgou cartazes onde sua foto aparece sob a palavra “Procurado”, além de duas outras fotos suas.
Desde as 4h da madrugada de ontem, policiais percorreram locais onde Souza costuma ir: a casa onde mora com o pai, em Nilópolis (Baixada Fluminense), o hospital onde trabalha e um endereço na região dos Lagos, a pelo menos duas horas dali, que costuma frequentar.
Às 19h, as buscas foram encerradas e só seriam retomadas hoje. A expectativa é que, com a divulgação do cartaz com sua foto pelo Disque-Denúncia, surjam novas pistas.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Souza, empregado de uma empresa terceirizada, trabalha em regime de plantão de 12 horas, com 36 horas de folga. No dia em que o cinegrafista foi atingido, ele estava de folga. No dia seguinte deveria trabalhar, mas desde então não aparece no hospital.
Souza registra passagens pela polícia. Em 2010, ele foi detido na Baixada Fluminense sob a suspeita de portar 33 gramas de cocaína e crack. A droga foi encontrada a dois metros de Souza por policiais militares, após uma perseguição. O inquérito foi arquivado por falta de provas.
O manifestante ainda registrou uma ocorrência na delegacia informando ter sido agredido num protesto.
Filhinhos de papai
O prefeito Eduardo Paes disse que os suspeitos da morte são “filhinhos de papai mimados”. Ele defendeu a prisão dos indiciados. “Eles precisam ficar na cadeia por muito tempo. Precisamos é de menos impunidade no Brasil e no Rio. Protesto faz parte, o que não pode acontecer é sair na rua tirando seus recalques, atacando os outros com violência.”
Também no Rio, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou que os manifestantes que usam a violência nas ruas repetem práticas da ditadura militar.
Proteção para jornalistas
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) defendeu ontem a criação de uma “política de Estado de proteção ao jornalista” em resposta à morte do cinegrafista.
Cardozo se reuniu com representantes da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert) e Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner). Eles entregaram ao ministro um relatório de casos de violência contra jornalistas e profissionais de imprensa.
Foi criado um grupo de trabalho para definir medidas de proteção aos jornalistas, que o ministro pretende que estejam valendo já na Copa. Entre elas estão a proibição do uso de máscaras nos protestos e a federalização de crimes ocorridos nos atos.
Participarão do grupo empresários do setor, representantes da classe jornalística, o ministério e especialistas em segurança pública, além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
