Recentemente, conduzindo meu carro por uma determinada rua do Jardim Panorama em Bauru (de grande fluxo, por sinal), me deparei com uma placa chamativa, aquelas de cor alaranjada e branca, com um enorme aviso: "trânsito impedido". O obstáculo avisava que ali havia um enorme buraco.
Eu já tinha trafegado por muitos lugares naquele dia. Num calor quase "vulcânico" de Bauru, sem arcondicionado no automóvel, estava realmente exausta por enfrentar o trânsito. Aquela placa me fez refletir.
Comecei a pensar na educação e segurança do trânsito deste município. É, está realmente um caos. Não sou a melhor condutora do mundo, mas sempre procuro prestar atenção nos outros que estão comigo nesse trânsito realmente "impedido", como estava escrito na placa. Sempre ligo as setas, dou espaço quando vejo outros condutores querendo fazer ultrapassagens, estacionar. Comecei a me questionar: quantas vezes fui respeitada no trânsito de Bauru em oito anos de habilitação? Poucas.
Opa! Achei uma vaga na rua! (quase o mesmo que jogar na Mega Sena) Quero fazer uma baliza. Ligo a seta. Quem disse que eu consigo estacionar? Uma enorme fila se forma atrás do meu carro, e ainda levo umas "buzinadas" na orelha.
Tentando retornar pela avenida Nações Unidas, outro dia, na altura do Jardim Contorno, não consegui. Fui parar quase no acesso ao Núcleo Presidente Geisel. A via parecia uma pista de corrida, ninguém respeitou minha seta, e nem deu espaço para que eu conseguisse passar da faixa direita para a esquerda e chegasse o retorno a tempo.
Por isso aquela placa ficou realmente marcada na minha memória como um reflexo do tráfego de veículos em Bauru: um "trânsito impedido", onde não há educação, respeito ao próximo e às leis.
É preciso paciência para enfrentar essa "corrida maluca" onde todos sempre estão apressados, distraídos, falando ao celular, ou até mesmo acessando as redes sociais.
Não bastassem esses pontos negativos, o asfalto da cidade também não ajuda: buracos nos surpreendem a todo o momento. E as obras e manutenções em semáforos que são feitas nos horários de "pico"?
Desde aquele dia fico me perguntando onde isso vai parar, já que a frota continua aumentando e condutores egoístas andando acima da velocidade, desrespeitando uns aos outros, aos pedestres, a legislação.
No dicionário de Luiz Antonio Sacconi, a palavra "trânsito" significa "ato ou efeito de transitar; passagem de um lugar para o outro; tráfego", mas como fazer isso hoje, em Bauru? Acho difícil definir atualmente o tráfego de veículos deste município neste sentido mais profundo da palavra. Enquanto isso, vamos trafegando do jeito que dá, nesse "trânsito impedido" de fluir e evitar tantos acidentes.
Bruna Dias é jornalista, repórter do Jornal da Cidade e colaboradora de Opinião