Oito alunos de Bauru, de 12 a 15 anos, estão entre os 80 competidores do Sesi-SP que embarcarão para Taguatinga (DF), na próxima terça-feira, dia 18. Eles participarão das disputas da etapa nacional do Torneio de Robótica First Lego League (FLL). O evento será realizado nos dias 21, 22 e 23 de fevereiro e reunirá mais de 60 equipes de escolas públicas e particulares de todas as regiões do Brasil.
Para o professor Paulo Roberto Fernandes, que coordena o trabalho do grupo, este tipo de projeto visa instigar o interesse dos estudantes pela área de engenharia e, futuramente, preencher a falta de mão de obra qualificada no setor.
“Diante da falta da mão de obra qualificada no mercado, o Sesi busca chamar a atenção dos estudantes para a área de engenharia. Buscamos mostrar que isso é legal. Se o aluno gosta, por que não ser um engenheiro?”, explica.
De acordo com Fernandes, o Sesi-Bauru seleciona, anualmente, alunos que se enquadrem em critérios como o gosto pela área de robótica, a boa relação com as pessoas e a capacidade de trabalhar em equipe.
Os escolhidos desenvolvem projetos, que são inscritos no Torneio de Robótica anualmente. Desde a primeira inscrição para o evento, há seis anos, o grupo de Fernandes já ganhou três campeonatos nacionais e um estadual.
Queimadas
O projeto desenvolvido neste ano consiste em apresentar um sistema de monitoramento de queimadas em áreas florestais para a região de Bauru, que abriga os últimos 22% do cerrado paulista.
Fernandes explica que a vigilância nestas áreas é feita via satélite. Porém, a captação de dados ocorre de uma em uma hora. O atraso pode causar o alastramento dos focos de incêndio.
“Eles propõem a implantação de torres de vigilância e um sistema de monitoramento através de sensores. As torres seriam interligadas por cabos de aço, revestidos com borracha antichama. O sensor se deslocaria de uma torre a outra, como um teleférico, fazendo o rastreamento das áreas florestais e transmitindo dados para a Defesa Civil”, frisa.
Além do projeto de pesquisa, os estudantes apresentarão o projeto do robô, que consiste em desafios envolvendo desastres naturais e, dentro de uma arena, robôs feitos de lego têm de prestar o serviço de auxílio em um tempo de dois minutos e meio.
Beatriz Riccio de Angelo, 14, está há quatro anos no grupo do professor Fernandes. Ela está confiante de que a equipe consiga a primeira colocação no torneio, mas afirma que apenas a oportunidade de participar faz tudo valer a pena.
“Eu aprendo de tudo um pouco aqui. Fazemos uma pesquisa apurada, identificamos um problema que prejudique a região de Bauru e corremos atrás de soluções possíveis. Gosto tanto disso que penso em fazer engenharia mecatrônica”, defende.
Soluções
Para a atual temporada, que tem como tema Nature’s Fury (Fúrias da Natureza), as equipes foram desafiadas a propor soluções inovadoras para ajudar uma comunidade a se preparar, permanecer segura ou se reconstruir em um cenário de desastre natural, como tornados, tempestades, terremotos, tsunamis, enchentes e deslizamentos de terra.
As equipes do Sesi-SP foram classificadas entre 165 times das escolas da entidade, que disputaram as fases regional e estadual do torneio. Composta por oito alunos, um técnico e um mentor, cada equipe tem por objetivo construir e programar um robô autônomo que deve cumprir algumas missões específicas em apenas dois minutos e meio.
Nas etapas disputadas, os times foram avaliados com base em três requisitos: projeto de pesquisa (inovação, apresentação e processo de pesquisa), projeto do robô (design do robô, programação e estratégia e inovação) e core values (inspiração e trabalho em equipe).
A competição
Além dos bauruenses, também participam da competição escolas da entidade instaladas nos municípios de Álvares Machado, Americana, Andradina, Birigui, Itapetininga, Jundiaí, Valinhos (com duas equipes) e Votuporanga.
O 1º colocado do torneio garante vaga para o FLL World Festival, a maior competição de ciência e tecnologia do mundo, que será realizada em St. Louis (EUA), em abril.
Na temporada passada, o Sesi-SP foi vice-campeão da fase internacional com a equipe de Ourinhos. Essa foi a melhor participação brasileira na história da FLL. Os times classificados do segundo ao quarto lugar no torneio nacional conseguirão vaga para o FLL Open European Championship, que será disputado em Pamplona (Espanha), em maio.