Aceituno Jr. |
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Juliana Marcia Volpe, o pequeno Gabriel e Márcia Volpe durante compras em mercado para a Páscoa |
Diante de consumidores cada vez mais exigentes, as fábricas de chocolate preparam uma Páscoa, literalmente, recheada para este ano. Antes restritos às marcas importadas e mais sofisticadas, os ovos premium ou gourmet devem chegar com tudo às gôndolas de supermercados nos próximos meses.
Entre as novidades, está a adesão de marcas populares aos chamados “ovos de colher”, em que a parte oca da casca de chocolate vem totalmente preenchida com creme de sabores diversos. Ao menos dois grandes fabricantes que comercializam seus produtos no Brasil lançarão suas versões destes ovos recheados.
Outras que já ingressaram neste mercado no ano passado trarão como inovação colheres exclusivas para saborear a guloseima. Já as mais requintadas chocolaterias, que inseriram o conceito “premium” no mercado, repetirão a receita de sucesso de anos passados.
Gestor de compras de uma rede supermercadista da cidade, Téder Berbel Senis explica que, com o aumento da renda principalmente das classes B e C, os consumidores se tornaram mais exigentes e passaram a apreciar itens menos tradicionais.
“Normalmente, são produtos mais elaborados e saborosos, com embalagens mais sofisticadas, em que o diferencial pode ser o formato, a marca ou o tipo de chocolate”, detalha.
Acompanhando o momento da economia, este segmento tem crescido a uma taxa de 20% ao ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab).
Além dos ovos de colher, os ovos com casca recheada, já conhecidos do público, serão apresentados neste ano em novas versões pelos fabricantes.
Páscoa tardia
Uma das marcas, por exemplo, lançará o ovo com tripla camada: a externa de chocolate ao leite, o recheio de frutas vermelhas e a camada interna de chocolate branco.
Há, ainda, outras dezenas de opções para crianças, que vão desde ovos com brinquedo até uma mini mochila com o chocolate dentro.
Com tantas novidades, a expectativa é de que as vendas cresçam entre 10% e 12% em relação à Páscoa do ano passado.
Além da maior procura por produtos de maior valor agregado, a tardia Páscoa deste ano, em 20 de abril, também deve contribuir para estimular o comércio de ovos, conforme avalia o diretor regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Émerson Svizzero.
“Com temperaturas menores e parte das contas típicas de início de ano já quitadas, os consumidores ficam mais estimulados a investir mais na compra de ovos. Além disso, a inflação está mais branda em relação ao primeiro semestre do ano passado. Temos todas as condições favoráveis para bons resultados”, afirma.
Outra vantagem é que, justamente em razão da Páscoa tardia, os supermercados começaram a vender os chocolates mais cedo: com 60 dias da antecedência, ante aos 45 dias habitualmente adotados em anos anteriores.
A expectativa do setor é de que os preços dos ovos fiquem, em média, 4% mais caros em comparação ao ano passado, um reajuste abaixo da inflação do período.
60 dias de Páscoa
Para Márcia Volpe, 50 anos, e Juliana Volpe, 28 anos, a Páscoa começa agora. Durante as compras em um supermercado, mãe e filha levaram o primeiro ovo de chocolate para casa, para alegria do pequeno Gabriel, 2 anos, filho de Juliana.
“Somos todos chocólatras, o vício já começa antes de nascer”, brinca ela, que está grávida de seis meses do segundo filho. De acordo com Márcia, cada uma deverá consumir três ovos de chocolate até a Páscoa.
“A gente começa com os mais simples, para matar a vontade. Quando chega a data, escolhemos um melhor, com recheio para os adultos e brinquedo para as crianças. Depois, quando os ovos entrarem em promoção, a gente volta para comprar mais”, revela.
