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Votar certo

Alfredo Enéias Gonçalves d?Abril
| Tempo de leitura: 4 min

A carta do leitor Edson Anaia (JC de 20/02) comunga com a preocupação de todo eleitor brasileiro na escolha de candidatos a cargos eletivos nos quais confiarão seu voto no próximo pleito. Foram tantas as trambicagens e roubalheiras cometidas pelos políticos de várias legendas nos últimos tempos que esboroa a esperança do eleitor de que haja uma mudança ética e moral a partir de 2015, quando nova composição nos quadros políticos de todo País apresentará as novas caras e também as manjadas raposas infalivelmente reconduzidas pelos leais eleitores ao Executivo e Legislativo. A decepção manifestada pelo leitor Anaia com a inconfiabilidade dos partidos políticos verte sobre o PT e o PSDB com alguns filiados envolvidos em processos criminais nos foros de Brasília e de Belo Horizonte.

Na realidade, as agremiações políticas são criadas como espécies de núcleos a hospedar os filiados com pretensões à candidatura de qualquer cargo político, ou pessoas meramente simpatizantes com sua ideologia, despojadas de pretensões no recebimento de votos para o ingresso na vida pública-política. Os partidos políticos, como criação da Lei, são unidades abstratas destituídas de vontade e, como meras expressões figurativas, não tem vontade nem ação; não pensam e nem decidem. Existem para o atendimento da vontade de seus dirigentes ao contrário do ser humano que desde seu nascimento é dotado de vida anímica, sensibilidade e razão, qualidade esta desenvolvida com a capacidade de raciocinar. O homem é ser pensante que age como voz do partido político, seguindo-se dessa assertiva a responsabilidade pelo que faz em nome da agremiação. Os políticos que se desligam dos partidos amparados na lei eleitoral, ficam livres por uma temporada para pensar e atuar adstritos à própria vontade, cessando essa liberdade no vencimento do prazo para a escolha de outra sigla para nova filiação.

Houve um movimento doutrinário de tímido interesse no Congresso Nacional, cogitando da supremacia total do partido em relação à seu candidato eleito. Se porventura essa ideia ganhasse fôlego e integrasse o universo das normas jurídicas, faria com que o eleitor não mais votasse nominalmente no candidato, como pessoa física, mas sim no partido político pelo qual o candidato preferido pertencesse, ficando à agremiação no direito de apresentar o nome de seus pares eleitos para o legislativo, obedecendo a ordem que a legislação eleitoral estatuísse. O voto seria uma espécie de procuração outorgada ao partido político que, a revelia do eleitor e amarrado na lei eleitoral apresentasse a lista dos eleitos sem o nome do destinatário, o qual, seria preenchido pelo partido receptor do voto. Se a confiança no candidato devidamente identificado já é temerária, avalie-se desconhecer seu representante!

Fixando-se na fórmula atual de escolher o candidato e nele votar, naturalmente excluído o voto de cabresto, autêntica aberração incorporada à cultura dos caça-votos, o voto consciente, que consagra uma estrita confiança no candidato em face do bom conceito desfrutado na sociedade, mensurado por seu passado de integridade e correção sob qualquer ponto de vista é o que deveria prevalecer. O sufrágio é o único instrumento para a moralização da política, ainda que o eleito tenha uma atuação pífia no exercício do mandato, como aquele deputado federal candidato à Presidência da República que em dupla legislatura apresentou apenas dois projetos de lei, ambos rejeitados, porém, descompromissado com as confabulações espúrias comuns no parlamento. O voto ao candidato aprovado num raio X de ética e moralidade é o caminho para a sociedade formar uma comunidade de homens probos e confiáveis na direção dos rumos que a pessoa estatal poderá prosperar. A vida pretérita do candidato é fácil de investigar pela Internet, instrumento ao alcance do eleitor revelando com relativa segurança o perfil do candidato, o que facilita votar conscientemente.

Nas próximas eleições, nossa populosa cidade tem a obrigação de realizar um velho sonho elegendo um deputado federal para diretamente vindicar os melhoramentos mais prementes ao Município e, pelo menos dois deputados estaduais, muito embora o único representante de Bauru na Assembleia Legislativa valha por dois, pelo empenho e desempenho apresentado, há espaço de folga no colégio eleitoral local para eleger outro parlamentar. O que os partidos locais precisam evitar é o acumulo de pretendentes sem prestígio entre os eleitores na conquista de votos, fator que se repete a cada eleição dividindo os votos com prejuízo aos potencialmente viáveis, melhor dizendo, com prejuízo ao povo que fica se representante.

O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d´Abril, é professor universitário, aposentado


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