Articulistas

Aquele brilho

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Qual o maior carisma do Brasil? Creio que o hipotético pleito resultaria em segundo turno entre Silvio Santos e Roberto Carlos. E, se hoje fosse, terminaria em vitória para o eterno homem do baú. A história da propaganda da carne não foi bem digerida por boa parte do eleitorado, o que tira votos do rei.

RC também não mandou muito bem na polêmica sobre biografias, faz escolhas bem questionáveis de cantores e cantoras para dividir o palco em seus especiais, pouco avança no repertório "mesmícico" e, aos poucos, vai se tornando - quem diria? - quase impopular. Mas... jamais perderá o carisma.

Já Silvio parece ter recebido o espírito da maluquinha Hebe e anda falando o que lhe vem à cabeça: divertido e inconsequente, caminha a passos largos para ser o gagá mais adorado do planeta televisão.

Roberto e Silvio, em que pesem circunstâncias eventualmente desfavoráveis, são portadores de vibrante magnetismo junto à opinião pública. Trata-se de um brilho que eu, Otávio Mesquita e Mano Menezes jamais teremos.

Silvio e Roberto nasceram assim, e assim sairão de cena um dia, em um desses raros dias em que raros humanos fazem um país inteiro parar. Carisma é um dos dons quase sobrenaturais que conferem verniz ao DNA, sabor ao casual, alegria ao cotidiano.

Nesses tempos de folia, falsos carismas vão desfilar por aí com fartos seios e sorrisos, mas sequer chegam perto da ímpar personalidade dos autênticos encantadores de gente. Os grandes carismas são, inevitavelmente, sucesso por décadas seguidas. E ajudam essa coisa (por vezes, arrastada) chamada dia a dia ficar mais lúdica, leve e animada.

Afinal, não é só no Carnaval que necessitamos de fantasia, evolução e de pessoas, digamos, reluzentes. E, para você, qual o maior carisma do Brasil?

O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC)

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