Carnaval 2014

Desfiles no Rio tem noite heterogênea


| Tempo de leitura: 3 min

Sergio Moraes/Reuters

Estrela -  Atriz Christiane Torloni estreou à frente da bateria da Grande Rio, ontem. Hoje, desfiles prometem uma noite mais heterogênea na Marquês de Sapucaí

Os desfiles das grandes escolas de samba do Rio começaram ontem numa noite heterogênea: as três primeiras agremiações, Império da Tijuca, Grande Rio e São Clemente, nunca foram campeãs no Grupo Especial e não têm grande torcida. As três que se seguiram são gigantes do Carnaval, e levam consigo boa parte das arquibancadas: Mangueira, com 17 campeonatos, Salgueiro, com nove, e Beija-Flor, atual líder do ranking da Liga das Escolas, com 12 - metade disso no século XXI.

A Beija-Flor tenta mais um campeonato com um enredo-tributo ao diretor de televisão José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e, a partir dele, conta a história da comunicação humana. Muitos recursos tecnológicos foram usados para impressionar a plateia. A interatividade foi uma marca: a reação do público foi filmada e transmitida em telões no último carro.

Fé e ecologia se misturaram no enredo do Salgueiro: Gaia - A vida em nossas mãos. A criação do mundo é contada a partir dos elementos terra, fogo, água e ar.

Já as festas mais populares do País foram escolhidas para colorir a Mangueira. Os integrantes acrescentaram ao samba os passos das quadrilhas de São João. Boi-bumbá, parada gay, festa de Iemanjá, festa da uva, festejos religiosos e o réveillon carioca compõem a “festança brasileira” idealizada pela carnavalesca Rosa Magalhães.

Quebra da escrita

Poucas foram as vezes em que a campeã do Carnaval do Rio saiu de um desfile de segunda, mas em 2014 a escrita pode mudar.

Das escolas de samba que desfilam hoje na Marquês de Sapucaí, a única lembrada como favorita é a Unidos da Tijuca - ao lado de Salgueiro, Beija-Flor e Mangueira, que desfilaram ontem.

A escola vai homenagear o tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna - com alegorias irreverentes, como o carro da animação “Corrida Maluca” - e promete surpresas, bem ao gosto do carnavalesco Paulo Barros.

Pernambuco

A Mocidade, em uma crise que já dura mais de uma década, abre o 2º dia com um enredo que tenta apagar o fiasco de 2013, quando seu carnaval sobre o Rock in Rio não deu samba e a escola quase foi rebaixada.

Para Dudu Nobre, autor do samba da escola, a agremiação vai dar a volta por cima.

O samba, diz ele, vai ajudar a contar a história de Pernambuco sobre o prisma do ex-carnavalesco Fernando Pinto, nascido no Estado e campeão pela escola.

“Eu fui buscar o padre Miguel, que dá nome ao bairro, para ser o fio condutor”

Debandada

Outra agremiação em crise é a atual campeã, Vila Isabel. Logo após o Carnaval do ano passado, houve uma debandada de profissionais, que não receberam seus pagamentos.

Entre eles estava a carnavalesca Rosa Magalhães, neste ano na Mangueira.

A escola aposta num enredo sobre fauna e da flora, mas cujo foco principal é o povo brasileiro: “Retratos de um Brasil Plural.”

A Portela, sem um título desde 1984, tenta se reerguer com um enredo sobre a avenida Rio Branco, no qual os antigos carnavais serão destaque. A União da Ilha levará brinquedos e brincadeiras de criança para a avenida, em um enredo leve e divertido, como é marca da escola.

Já a Imperatriz vai contar, neste ano de Copa do Mundo no Brasil, a vida e a carreira do ex-jogador Zico, ídolo maior do Flamengo.


Greve de garis

O percurso de foliões no Carnaval de rua do Rio ontem foi pontuado por mau cheiro e muita sujeira nas principais vias do centro. Desde a sexta, parte dos garis decidiu entrar em greve.

Na av. Presidente Vargas, via de acesso dos carros alegóricos do desfile ao sambódromo, havia pilhas de lixo não recolhido pelos funcionários da Comlurb - companhia municipal de limpeza urbana.

Na rota de blocos concorridos como o Bangalafumenga, no Aterro do Flamengo, e o Cordão do Boitatá, na Praça 15, os foliões encontraram barreiras de lixo nas calçadas.

Ontem, centenas de garis fizeram nas ruas do centro uma manifestação, que transcorreu de forma pacífica. Seguiram pela Presidente Vargas caminhando ao lado dos carros alegóricos já posicionados para os desfiles da noite.

Leia também

Comentários

Comentários