Carnaval 2014

Blocos trazem exaltações e críticas

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

As homenagens feitas pelos blocos agradaram o público em cheio no segundo e último dia de Sambódromo em Bauru. A primeira homenagem da noite, feita pelo bloco Estrela do Samba de Tibiriçá, conquistou toda a plateia do Sambódromo, em especial as mulheres. Os papéis representados pelas mulheres ao longo da história e as conquistas femininas foram exaltados no enredo “Mulher: Estrela Guia da Humanidade”.

O bloco do distrito de Tibiriçá teve seu desfile protagonizado essencialmente por elas. Foi a segunda agremiação a entrar na passarela, por volta das 21h30. Com um carro alegórico e seis alas, os quase 300 integrantes demostraram coreografias bem ensaiadas, valorizando desde a dona de casa até a mulher que ocupa cargos políticos.

Lavadeira, passadeira, cozinheira, faxineira, estudante, profissional, mãe. Todas as mulheres se sentiram representadas com o enredo da Estrela de Tibiriçá, que retratou a mulher desde os tempos de repressão até as conquistas atuais no mercado de trabalho e área acadêmica.

“A mulher é força, é essencial para a vida de todos. O enredo não poderia ser melhor”, avaliou Ducineia Cosmo, presidente do bloco Estrela.


Saudosa Maloca

O Com direito a uma queima de fogos, os 700 foliões do bloco Pé de Varsa se dividiram em oito alas e quatro carros alegóricos para homenagear o compositor, cantor e pai do samba paulista Adoniran Barbosa. A agremiação entrou logo após a Estrela do Samba de Tibiriçá, por volta das 22h30.

A agremiação da Vila Falcão contagiou com uma ala de foliões muito empolgada. Destaques ficaram para o carro abre-alas, “Saudosa Maloca”, levando o público a lembrar de São Paulo na década de 1930.

A letra do samba-enredo fez referência a canções conhecidas do mestre, assim como os carros alegóricos e alas, que fizeram o público se lembrar de músicas como “Samba do Arnesto”, “Trem das Onze”, “Iracema” etc.

“A escola cresce a cada dia mais e nosso compromisso é com o público”, afirmou Meire Pereira, integrante da diretoria do Pé de Varsa.


Nem só de folia vive o Carnaval

“A realidade é muito dura/ É absurda, não é fácil não/ Gente morre em leito à procura de uma vaga na internação”.

O bloco Unidos do Jardim Petrópolis soube unir diversão com assunto sério ao fazer cobranças ao poder público durante o desfile, mas sem perder a alegria da folia. A agremiação da periferia de Bauru foi a primeira a desfilar na noite de ontem, e entrou na pista do Sambódromo por volta das 20h30.

Com um carro alegórico e três alas, o bloco exaltou a importância da união da comunidade para lutar contra os problemas da cidade. O carro trouxe integrantes com camisetas exibindo palavras como “paz” e “união”.

Os membros também chamaram a atenção do poder público através da letra de seu samba-enredo – “Unidos todos”. “Acho conveniente aproveitar o desfile para também falar de assuntos importantes”, destacou a presidente, Jussara Lopes.

O bloco, fundado no ano de 2000, foi retomado neste ano após ficar um ano sem desfilar. A intenção, segundo Jussara, é inscrever a agremiação, no próximo ano, na categoria Especial.


Transexual é impedida de desfilar

A transexual Cristina Laiser, que iria desfilar no primeiro carro alegórico do bloco Unidos do Jardim Petrópolis, foi substituída na última hora por um homem e uma criança. Sem condições de desfilar e por questões de segurança, a diretoria ofereceu que ela sambasse no chão. Ela não aceitou, sentou-se na sarjeta e chorou.

No entanto, minutos antes de abrir o portão, ela decidiu entrar, mas, quando vestia a fantasia, acabou sendo empurrada por um dos seguranças da organização da festa, que a impediu de continuar com os passistas. Ao JC, o segurança alegou que a diretoria proibiu a entrada de Laiser na avenida.

 

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