Um desfile, literalmente, cheio de energia: foi assim que a Azulão do Morro levantou o público da arquibancada. “Em uma Noite de Folia, Azulão é Pura Energia”: esse foio enredo que a abremiação levou para o Sambódromo Municipal, sendo a primeira escola a entrar ontem na pista por volta das 23h40.
Energia para a vida, alternativa para o futuro, a energia geradora de tudo que existe, da natureza, da eletricidade, da vida e do Carnaval: as 11 alas e os três carros alegóricos exibiram os 500 integrantes com marcantes e coloridas fantasias.
O ponto alto ficou para a comissão de frente, que apresentou na passarela a explosão do Big Bang, com fragmentos de energia – a origem do universo. Logo em seguida, o carro abre-alas mostrou o nascimento das estrelas, com belas fantasias nas cores branca e azul. Pequenos explosivos usados na comissão de frente e queima de fogos foram destaques também do desfile da Azulão.
O enredo continuou evoluindo, mostrando a energia que forma os átomos, até chegar na energia do Carnaval. “O samba é a energia que nos faz sonhar”, dizia a letra do samba-enredo, composta por Tuca Maia e Xandinho.
A bateria, afinada, deu um show de animação na passarela. A comunidade do Parque Jaraguá, inclusive crianças e jovens, participaram em peso da agremiação.
Fundada em 1998, a Azulão surgiu primeiramente na cidade como um bloco chamado Sementes do Azulão. Mas, com o fortalecimento, a entidade se tornou escola e, desde então, vem enriquecendo os desfiles da cidade. Foi a campeã do Carnaval bauruense em 2011.
Na concentração
Uma onda de animação com uma pitada de despedida tomava a concentração da escola Azulão do Morro, na noite de ontem.
Após quase 20 anos à frente do bloco bauruense que se transformou em escola de samba, Aparecida Brito Caleda, de 53 anos, a Cidinha, antecipou que pretende deixar a presidência da escola.
“É o meu último ano. Dá uma dor no coração dizer isso, mas não consigo mais. Meu diabetes está aumentando muito e preciso descansar”, comenta a sambista, vestindo-se de porta-bandeiras com uma fantasia de mais de 20 quilos.
Apesar da tristeza diante da possível saída da colega foliã, Valdir Cavalheiro, 46 anos, o intérprete da escola – participante da folia na Azulão há mais de uma década – demonstrava esperança em relação à escola.
“A Cidinha é o coração da Azulão. Vai ser difícil, mas tenho certeza que alguém tomará a frente se ela sair mesmo. Não acredito no fim da escola”, fecha questão Cavalheiro.
Mascote da bateria
Entre os personagens-destaque da Azulão do Morro, estava o pequeno Gabriel dos Santos Silva, que dava um verdadeiro show tocando o repinique.
“É a segunda vez que ele desfila pela escola tocando”, conta o primo, Mateus da Silva, de 20 anos, que seguia ao lado. “Gosto muito do carnaval”, resumiu o pequeno sambista agitando a bateria antes mesmo da saída na passarela.