João Rosan |
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A Cartola chegou ao seu 11º título no Carnaval bauruense |
Um dia de alegria para alguns e de indignações para outros. Ontem, as escolas e blocos participantes do Carnaval 2014 se reuniram durante a tarde na sede da Secretaria Municipal de Cultura para a apuração da avaliação dos 27 jurados, que elegeram como campeões a Acadêmicos da Cartola - faturando o tri consecutivo e seu 11º “caneco” - e o bloco Pé de Varsa.
Durante a apuração, as notas atribuídas pelos jurados causaram polêmica e críticas entre algumas agremiações. “Esses jurados não sabem avaliar”, opinavam os membros das escolas e blocos. “Tem que rever esse corpo de jurados”, apontava Cidinha do Azulão.
A disputa foi acirrada principalmente entre os blocos, mais especificamente entre o Estrela do Samba de Tibiriçá e o Pé de Varsa, que empataram, ficando com pontuação final de 98,5. O desempate foi decidido ao considerar as notas mais baixas, que haviam sido anteriormente descartadas. Segundo o regulamento, são três jurados para cada quesito, porém são consideradas as duas notas mais altas, eliminando a nota mais baixa.
No caso de empate, a comissão reconsidera a nota antes descartada, por ordem de quesito avaliado na planilha. No quesito samba-enredo, por 0,5 pontos de diferença, o Pé de Varsa foi campeão.
O bloco Ouro Verde 100% Arte ficou em terceiro lugar, com 88 pontos, dois pontos a menos pelo fato da agremiação não ter atingido o tempo mínimo de desfile – 30 minutos. O Império da Lagoa do Sapo e Unidos do Jardim Petrópolis não entraram na competição por estarem inscritos como Originalidade.
Inconformada
Ducineia Cosmo, presidente da Estrela do Samba, junto a outros integrantes da agremiação, não se conformava com a vitória do Pé de Varsa, no desempate referente ao quesito do samba-enredo, e fez críticas aos jurados. Na opinião dela, a letra do samba-enredo do Pé de Varsa não foi criativa. “E nós esperávamos que os jurados iriam se atentar pra isso”, apontou. “As pessoas que julgam têm que ter noção e consciência do que estão julgando. Os jurados têm que olhar não somente para as pessoas que estão desfilando, mas sim para o trabalho feito por cada carnavalesco. Não se pode avaliar as agremiações apenas pela quantidade de foliões e beleza das fantasias. Tem que olhar pra qualidade de criação do enredo, da letra etc.”, expôs.
A alegria dos campeões do Carnaval
Entre as escolas, a pontuação foi mais “folgada”; mesmo assim, a Águia de Ouro, mais um ano vice-campeã, ficou com apenas 4 pontos de diferença da primeira colocada, a Acadêmicos da Cartola, que totalizou 180 pontos. A Coroa Imperial ficou em terceiro lugar, com 171 pontos; em seguida, veio a Tradição, com 168,5 pontos e, por último, a Azulão do Morro, que somou 168 pontos. A escola Imperatriz da Bela Vista foi desclassificada por não atingir o número mínimo de integrantes.
Pasqual Storniolo, presidente da Cartola, chegou na Secretaria após o resultado da apuração em clima de folia. “É isso que a gente quer, um Carnaval bonito para Bauru, cada vez maior. E fizemos um desfile tecnicamente perfeito, então gostaríamos de agradecer a todos que colaboraram para que a Cartola fizesse mais um espetáculo na avenida”, comemorou Pasqual.
“Foi gratificante esse resultado diante do trabalho que fazemos durante todo o ano”, comentou o presidente do bloco Pé de Varsa, Expedito Pires dos Santos. Pela oitava vez, o bloco é campeão do Carnaval bauruense.
A escola Águia de Ouro, mais um ano vice-campeã, também comentou o resultado. “Foi um trabalho bonito que fizemos, a comunidade está de parabéns... só a cabeça dos jurados não dá pra entender. Alguns quesitos mereciam melhor avaliação, na minha opinião. Mas estamos satisfeitos com o resultado e aproveitamos para parabenizar as outras escolas”, ressaltou a diretoria.
Elson celebra sucesso
Para o secretário municipal de Cultura, Elson Reis, a programação do Carnaval de Bauru foi um sucesso, considerando o público superior a 50 mil pessoas no Sambódromo nos dois dias de desfiles. “O Sambódromo está ficando pequeno por conta do crescimento das escolas nos últimos anos. Por isso, em médio prazo vamos tentar buscar verbas no Ministério do Turismo para que possamos realizar melhorias no local, como ampliação das áreas de concentração e estacionamento”, salientou. Contudo, Elson pondera as críticas em relação aos jurados e destaca que cada vez é mais difícil formar uma comissão julgadora. “A gente tem dificuldade cada vez maior de montar uma comissão julgadora. É complicado achar pessoas disponíveis nesta época do ano e que não tenham envolvimento com as agremiações, e que também não tenham sido vetadas”, explica. “É inviável para a prefeitura trazer gente de fora”, indica.
