Tribuna do Leitor

A fúria e o ódio da doutora


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Eu achava o doutor Joaquim Barbosa, digníssimo presidente do STF, uma unanimidade nacional, uma figura imaculada, isenta de críticas e ataques na sua tentativa de estabelecer justiça para criminosos engravatados, do alto escalão da República, deputados, senadores, etc, contrariando o pensamento de que neste país só pobre e negro vão pra cadeia.

Porém, como dizem que toda unanimidade é burra, vejo neste JC de 7/03, página 2 (?Que tribunal e esse??), críticas a um verdadeiro herói nacional, o dr. Joaquim Barbosa. Eu também sou leigo, doutora, mas neste imbróglio é fácil distinguir o lado bom, dr. Barbosa e os juízes que o acompanharam nos votos condenatórios, e o lado mal, os ladrões do erário público e defensores destes, neste escândalo conhecido como mensalão, e apesar de toda verborragia e conhecimento histórico da dra., é difícil tentar inverter esta ordem.

Esta fúria, ódio, que a missivista viu nas palavras do doutor Joaquim Barbosa é a mesma fúria e ódio que são vistos nas ruas nas atuais manifestações (espero que continue, especialmente nos dias da copa) de um povo cansado de ser enganado, expoliado, escravizado pelos políticos de maneira geral, e mais recentemente pelo PTt, que antes do poder se dizia diferente dos outros e que na prática se mostrou pior.

O que pude entender nas palavras da doutora missivista é uma tentativa de nivelar por baixo os casos de partidos investigados por corrupção, citando Collor, o ex-gov. de Minas azeredo, ou, como já disse o ex-presidente, eles faziam, nos também fizemos... Se eles não foram julgados e condenados, por que nós seremos?

Parafraseando nosso ex-presidente, nunca na história deste país houve um ou haverá um assalto aos cofres públicos como nesta Copa do Mundo (lembro-me bem, a presidenta disse que não sairia um tostão dos cofres públicos, o dinheiro viria da iniciativa privada, e hoje já está em alguns bilhões de reais), criada para grandes empresários, Fifa e políticos se locupletarem às nossas custas, construindo estádios megalomaníacos que serão verdadeiros elefantes brancos após esta. Porém, como disse o ex-jogador Ronaldo, não se faz Copa do Mundo em hospitais, né?

João Jorge Nogueira

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