Manifestantes partidários da Rússia entraram em confronto com ativistas pró-Ucrânia ontem em Sebastopol, cidade na região autônoma da Crimeia onde Moscou mantém uma base naval.
Cerca de cem homens armados com pedaços de madeira e tacos de beisebol atacaram agentes que faziam a segurança de manifestantes ucranianos durante a comemoração do 200º aniversário do poeta Taras Shevchenko.
A seis dias do referendo que decidirá se a Crimeia será ou não anexada à Rússia, o conflito acirra o clima de tensão na Ucrânia.
Em Simferopol, capital da Crimeia, um grupo de homens uniformizados partidários da Rússia atirou contra um carro de ativistas do Maidan, o movimento opositor nascido na Praça da Independência, em Kiev. Os tiros atingiram a lataria do automóvel.
Outra tropa armada pró-Rússia tomou o controle de mais um aeroporto da Crimeia. Usando uniforme militar sem identificação, cerca de 80 soldados, apoiados por 50 civis, bloquearam a entrada do terminal próximo ao povoado de Saki e se posicionaram, com metralhadoras, ao longo da pista, afirmou à Reuters Vladislav Seleznyov, porta-voz do Ministério da Defesa da Ucrânia.
Autoridades dos Estrados Unidos, da Europa e da Ucrânia seguem dizendo considerar o referendo “ilegítimo”. Os EUA não vão reconhecer a anexação da Crimeia pela Rússia se residentes votarem pela integração, afirmou o vice-conselheiro de Segurança Nacional, Tony Blinken.
Na quarta-feira, o presidente Barack Obama e o premiê interino da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, vão se reunir em Washington, para buscar uma solução à crise.
Arseni Yatseniuk assegurou que o país não cederá “nem um centímetro da terra ucraniana”.