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PM usa veículos da Tática no trânsito

Vitor Oshiro e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Militar (PM) confirma: o policiamento de trânsito em Bauru está sendo efetuado com uma frota quase inteiramente emprestada. Para se ter uma ideia, três motocicletas foram retiradas da Força Tática da corporação para fazer a fiscalização do trânsito. O problema, que afeta diretamente a segurança da população, passa por um convênio entre a PM e a prefeitura.

 

O acordo existe há anos e determina que o município é responsável por fornecer os veículos necessários para o trabalho de fiscalização de trânsito da polícia. A contrapartida é que todo o valor obtido com as multas de solo fica com o município.

 

E, em meio a um “círculo virtuoso”, a prefeitura pegaria parte deste valor e investiria, entre outros pontos, no reaparelhamento da própria PM. Mas não é o que ocorreu, de acordo com a corporação.

 

No dia 6 de janeiro deste ano, o JC revelou com exclusividade os problemas desse convênio. Na ocasião, a PM criticou a não renovação da frota por parte da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e anunciou a devolução da maioria desses veículos.

 

De acordo com a polícia, a frota foi devolvida por já ter, no mínimo, 13 anos de uso. “Era um Fiesta, ano 2000, um Gol, de 1999, e quatro motos Falcon, também de 2000”, conta o primeiro tenente José Sérgio de Souza, comandante do Pelotão de Trânsito do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).

 

Com isso, o patrulhamento de trânsito ficou apenas com dois Corsas, de 2010, para patrulhar os quase 70 quilômetros quadrados de área urbana de Bauru e um trânsito que passa de 240 mil veículos. “Foi preciso emprestar tanto motos quanto carros para continuar fazendo o nosso trabalho”, complementa o tenente.

 

Foram emprestadas três motocicletas da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) da Força Tática, uma viatura da Base Centro e outra da Base Sul. 

 

A PM é direta em afirmar que esse “malabarismo” está prejudicando a população. A Rocam, por exemplo, tem uma frota de 20 motocicletas. Agora, após o empréstimo feito ao patrulhamento do trânsito, está com 17. 

 

“Uma viatura que se tira do patrulhamento ostensivo pode ser uma pessoa a mais da sociedade que solicita e precisa ficar esperando o nosso atendimento. Esse convênio tem tudo para dar certo, mas cada um precisa cumprir a sua parte”, diz o oficial de relações públicas do 4º BPMI, capitão Fabiano Serpa.

 

 

Emdurb promete dois carros para a polícia

 

Na reportagem veiculada no começo deste ano, a Emdurb prometia dois novos carros para a PM. Nada mudou. O presidente da autarquia, Nico Mondelli, explica que a compra desses veículos está em processo de licitação.

 

“Iremos comprar quatro carros. Dois deles irão para o patrulhamento de trânsito da polícia. Está em andamento. Acredito que possam chegar dentro de três meses”, aponta.

 

Em relação às motos, ele alega que a Emdurb ainda pesquisa modelos e preços para a aquisição. “Iremos discutir essas necessidades com a polícia, mas acredito que os carros são mais necessários”.

 

O convênio não se limita apenas às viaturas. O acordo aponta também que a Emdurb precisa comprar decibelímetros e etilômetros. “A compra desses equipamentos é algo que está mais próxima. É o que está mais avançado”, finaliza Mondelli. 

 

Desgaste acelerado

 

Mas, em relação aos veículos, não seria melhor ficar com os antigos do que com nenhum? Muitos podem questionar o motivo da devolução dos dois carros e quatro motos à Emdurb por terem mais de uma década de vida. Porém, a PM afirma que eles se tornaram realmente inutilizáveis.

 

“O patrulhamento de trânsito usa o veículo 24 horas por dia. Eles rodam o tempo todo. Por isso, há um desgaste acelerado. Pela própria segurança dos policiais, não dava para continuar usando esses carros e motos”, explica o capitão Fabiano Serpa.

 

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