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Casos de dengue têm queda brusca, mas alerta continua

Vítor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

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Casos de dengue em Bauru têm queda brusca, mas alerta continua

A dengue teve uma queda impressionante nos primeiros meses de 2014. De acordo com dados oficiais da Secretaria Municipal de Saúde, foram somente 16 casos este ano. Para se ter uma ideia do declínio impressionante, o número é 68 vezes menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.

 

Nesta quarta-feira (12), foram confirmados mais três casos importados da doença: uma mulher, de 41 anos, infectada em Lins; um homem, de 31, que contraiu a doença em Araraquara; e uma criança, de 7 anos, que pegou dengue em Itanhaém. Mesmo com esse número de casos, a cidade nem passa perto do que foi registrado em 2013.

 

Na ocasião, até o dia 12 de março, de acordo com a estatística oficial, a cidade já computava a assustadora marca de 1.091 casos. No ano inteiro, foram 7.442 casos. E o pior: duas mortes. A queda brusca surge como uma boa notícia, porém, os dados podem mascarar o perigo. Por isso, mais do que nunca, o alerta precisa continuar.

 

Justamente por grande parte da população já ter sofrido a doença ou conhecer alguém que pegou o vírus, a população ampliou os cuidados. Outro fator importante foram as poucas chuvas este ano, algo incomum para esta época.

 

O trabalho da Secretaria da Saúde, principalmente junto a empresas de recicláveis e ferros-velhos, e as inúmeras campanhas da sociedade civil (leia mais ao lado) também colaboram para a conscientização. Contudo, há ainda outra explicação para o declínio abrupto de casos da dengue.

 

“O que ocorre é que, no ano passado, houve a grande circulação do vírus 1. Então, as pessoas foram infectadas com esse vírus e não o pegam mais. O baixo número este ano é por conta disso. Restou menos pessoas suscetíveis a esse vírus”, explica Daniel Godoy Tarcinalli, chefe da seção de ações de meio ambiente da secretaria.

 

Então, Bauru vai pouco a pouco se imunizando e ficando livre da dengue? Não é bem assim. Além do vírus 1, já circularam os sorotipos 2 e 3 em anos anteriores. Porém, o tipo 4 nunca deu as caras por aqui. 

 

Vírus 4

 

“É este o grande perigo. O vírus 4 circula em cidades da região. E podemos dizer que todo mundo em Bauru está suscetível ao vírus 4. Se alguém trouxer esse sorotipo para a cidade, a epidemia será muito grande”, analisa.

 

Conforme matéria publicada em novembro do ano passado pelo Jornal da Cidade, o sorotipo 4 já foi detectado em municípios bastante próximos de Bauru, como Lençóis Paulista e Macatuba.

 

A preocupação é ainda maior, uma vez que pesquisa recente feita pelo município e que será divulgada em breve mostrou que ainda há grande quantidade de mosquitos Aedes aegypti em circulação por Bauru. 

 

Campanhas

 

Além do Big Busca, a cidade teve diversas outras campanhas para combater a dengue. Uma delas foi o Limpa Geral, realizado em abril do ano passado e que nasceu de uma reunião entre o Jornal da Cidade, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e a Asten. 

 

Depois, a iniciativa ganhou o apoio de diversas outras entidades e acabou tirando mais de 300 toneladas de entulhos de imóveis em Bauru.

 

Outra campanha que tem o mesmo objetivo é o Cidade Limpa, da TV Tem. Durante a reunião na última segunda-feira, foi definido que o projeto será realizado de 5 a 13 de maio este ano. 

 

Em 2013, a bauruense Maria Inês Faneco resolveu chamar a atenção do seu bairro para o perigo da dengue. Ela pichou o muro de sua residência com a frase: “Quantas pessoas terão que morrer para que você limpe seu quintal?”. A fotografia teve milhares de compartilhamentos e a imagem virou tema de uma questão do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

 

Prevenção

 

Mesmo com a queda dos casos, a população não deve descuidar das medidas preventivas: evitar vasos de plantas com pratos de plásticos; manter ralos internos e externos tampados, bem como vasos sanitários; manter as piscinas limpas, tampadas ou desmontadas, quando possível; descartar todo material inservível com potencial para criadouro de larvas do mosquito Aedes aegypti (garrafas, latas, embalagens vazias, pneus e outros) e manter a limpeza das calhas antes de sair de casa por vários dias. 

 

Campanha Big Busca Bauru segue em quatro bairros hoje

 

A campanha Big Busca Bauru continua nesta quinta-feira (13), quando as caçambas estarão distribuídas em três bairros – Terra Branca, Vila São Francisco e Jardim Solange. A coleta ocorre sempre das 8h às 16h. 

 

A ação promovida pela Unimed, em parceria com a prefeitura, conta com o apoio da Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Asten). 

 

Os associados estão cobrando, pelo aluguel das caçambas, preços abaixo dos praticados pelo mercado. As taxas referentes ao descarte, segregação e destinação estão sendo subsidiadas pela associação.

 

A população deverá retirar todos os materiais acumulados e inservíveis que possam servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypti e levá-los às caçambas. 

 

Antes de as caçambas serem colocadas nos bairros, os agentes visitam as casas informando a data e o local onde os materiais poderão ser descartados. A coleta nos bairros se estenderá até amanhã.

 

Cada base que está recebendo os materiais conta com dois agentes que recebem e triam os materiais. 

 

Doença pode ter infectado até 70 mil pessoas no ano passado

 

O número é muito assustador. Porém, de acordo com Daniel Godoy Tarcinalli, chefe da seção de ações de meio ambiente da secretaria, a realidade dos casos de dengue é muito pior do que o registrado oficialmente. 

 

“Trabalhamos com o número de que a estatística oficial seja apenas 10% do total”, pondera. Assim, somente em 2013, Bauru pode ter tido 70 mil pessoas infectadas com a doença.

 

Tarcinalli explica que a subnotificação é grande por vários motivos. Um deles é a não realização do exame comprobatório da dengue. 

 

“As pessoas ficam doentes e é feito um exame de sangue que mostra a probabilidade de dengue. Porém, o exame que comprova a doença e a faz entrar para as estatísticas é feito dias depois”.

 

Como muitos pacientes melhoram, eles não voltam para fazer esse exame final. “É algo que nos preocupa. Precisamos trabalhar com os números bastante próximos da realidade. Necessitamos desses dados justamente para desencadear nossas ações. Por isso, as pessoas precisam fazer esse exame”, destaca.

 

 

 

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