Simferopol - A Crimeia já celebra desde ontem na Capital Simferopol a anexação ao território russo mesmo antes do referendo marcado para hoje.
O governo quer divulgar até o fim da noite o resultado da consulta para começar a pôr em prática as promessas de oficializar a mudança, incluindo a nacionalização de empresas ucranianas e a troca da moeda local pela russa.
Espera-se que a população, de maioria russa, vote em peso para deixar a Ucrânia e virar parte da Rússia - especula-se em aprovação de até 90% dos eleitores.
Ontem, centenas de pessoas carregavam bandeiras russas e da Crimeia na Praça Lênin em meio a um show cultural num palco. O clima era de tranquilidade mesmo diante de soldados que cercam os prédios do governo.
A reportagem circulou pela cidade e não encontrou campanha a favor da Ucrânia sobretudo porque a região continua monitorada por esses soldados pró-Rússia. Enquanto isso, em Kiev, o Parlamento ucraniano aprovou ontem uma resolução que dissolve o da Crimeia. É um gesto mais político do que prático, afinal um governo não reconhece o outro desde a recente queda do então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, aliado de Moscou.
Em meio a esse contexto político, paira uma incerteza entre os 2 milhões de moradores da Crimeia: o que acontecerá a partir de amanhã?
Presidente russo alcança status de herói entre população local
Simferopol - Ontem pela manhã, duas moradoras de Simferopol, a Capital da região autônoma ucraniana da Crimeia, cuidavam de uma barraca de lanches ao lado do Parlamento local. Como voluntárias, distribuíam comida aos cossacos, homens vestidos como soldados do Império Russo e que vêm protegendo prédios públicos.
“Eu amo o presidente Vladimir Putin (Rússia). Ele nos respeita, respeita a origem russa e nosso território da Crimeia”, disse uma delas, Galia Conopliova, 57 anos, ao lado de Liudmila Dmitrienko, 68 anos.
A veneração a Putin na Crimeia, pertencente à Ucrânia mas com população de maioria russa, reflete um pouco do recorde de popularidade que o líder russo atingiu na crise com o país.
Recente pesquisa apontou que 69% da população da Rússia apoiam a política de seu presidente.
Opondo-se aos EUA e ao bloco europeu, Putin virou um dos protagonistas da crise na região. Para o presidente russo, o agravamento da situação ajudou a que recuperasse índices de popularidade não vistos desde o meio da década passada, quando a Rússia registrava altos índices de crescimento econômico.
Rússia veta resolução da ONU sobre referendo na Crimeia
A Rússia vetou ontem uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que declarava inválido o referendo a ser realizado hoje na Crimeia e exortava a comunidade internacional a não reconhecer o seu resultado.
O texto, de autoria dos Estados Unidos, teve 13 dos 15 votos a favor. A China se absteve. O referendo questionará a população da Crimeia se a península deve se anexar à Rússia ou seguir ligada à Ucrânia.
“A Rússia usou o seu veto como cúmplice de uma incursão militar ilegal”, disse a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power. Segundo a representante americana, a Rússia “não pode mudar o status da Crimeia” e nem o fato de que, qualquer avanço de Moscou neste sentido terá “consequências”.