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Bendito brincalhão

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Excessos, quedas e agruras não evitaram que o rei da comédia, Jerry Lewis, atingisse hoje vertiginosos 88 anos. Já falei dele aqui, mas sem render homenagens. Agora, sim.

Mestre do chamado humor físico, Jerry conviveu com dores nas costas por anos a fio, teve dois ou três infartos, viciou-se em remédio, sofreu com câncer, abusou de álcool, deprimiu. É um sobrevivente da fama.

A fama que só veio porque Jerry dedicou-se ferrenhamente à sua arte. Creio que o que mais diferencia os humanos de outros animais é justamente a capacidade de produzir... arte. E, entre os gêneros, o humor viaja de primeira classe.

Simplesmente não vivemos sem rir. Tanto que, entre as frenéticas buscas por assuntos na internet, bobagens de toda a ordem parecem procriar na tela ao comando dos nossos dedos alegrinhos.

Gerações inteiras riram das caretas exageradas de Jerry e das absurdas situações que ele próprio criava para si em filmes memoráveis. Claro, há quem não goste dele. Mas, definitivamente, gosta de rir.

A eficiência do humor a deletar nossas carrancas reais é quase a própria prova da existência de Deus, tamanha sua precisão e perfeição. Funciona. Ninguém aqui diz que humor é solução. Toda a "sorte" de problema continuará a desafiar nosso equilíbrio, e o mundo aí fora jamais deixará de ser duro e injusto. Mas, que grande mal há em aliviar a tensão? Bobamente, de preferência.

"Uma gargalhada por dia garante dez anos de vida", sugeriu Jerry em 2012 durante palestra nos EUA. Um oitentão que já tanto sofreu, mas riu na cara do destino, sabe o que diz. Merece, muito, um aniversário feliz.


O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC

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