Os primeiros efeitos da greve dos agentes penitenciários já começaram a aparecer na região de Bauru. Como o Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade não recebe mais os presos, a Cadeia Pública de Avaí (39 quilômetros de Bauru) está com lotação acima da capacidade máxima. De acordo com o que o JC apurou, a unidade prisional já conta com 56 presos, sendo que mais da metade deveriam ter sido transferidos.
As cadeias públicas são espécies de “unidades de passagem”. Ou seja, o preso vai para lá e, logo em seguida, é encaminhado ao CDP, onde aguarda o julgamento. Entretanto, desde a última segunda-feira, os servidores do CDP de Bauru cruzaram os braços e, em função da greve, não permitem a entrada e saída de presos.
A proibição de transferências gerou um efeito colateral nas cadeias públicas da região. A unidade prisional mais lotada é a de Avaí. Acostumada a ter uma média de 20 presos e com capacidade total para 48, ela está com 56 detentos. Funcionários do local apontam que 30 deles deveriam ser encaminhados ao CDP, porém, continuam em Avaí.
Para o delegado do Departamento de Polícia Judiciária do Interior de São Paulo 4 (Deinter-4), Antônio Luís de Sampaio Almeida Prado, a situação ainda está sob controle. “Na segunda-feira, a escolta levou 16 presos de Avaí para o CDP. Eles não puderam entrar e retornaram. Ontem (anteontem), ocorreu a mesma coisa. Precisamos aguardar até que haja uma solução”, disse o delegado, que é responsável pelos assuntos carcerários do departamento.
A reportagem entrou em contato também com as cadeias de São Manuel e de Pirajuí. Lá, a situação ainda não surte efeitos mais intensos. Porém, se a situação não for resolvida, a tendência é que a superlotação chegue a outras unidades.
Greve
A paralisação dos agentes em Bauru começou na última segunda-feira. Entre as reivindicações, os grevistas pedem aumento salarial de 25%, diminuição de duas classes para obtenção de promoção salarial, além de melhores condições de trabalho e mais contratações. 30% do efetivo está sendo mantido.
A assessoria de imprensa do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário Paulista (Sindcop) informou, na tarde de ontem, que não há qualquer novidade em relação às negociações. Há articulações para que novas conversas ocorram ainda esta semana, contudo, não há nada de concreto.
Visitas canceladas
A assessoria de comunicação do Sindcop informou que, como não houve qualquer negociação do governo, não haverá visitação aos presos nas unidades prisionais atingidas pela paralisação no próximo domingo.
A greve ocorre na maior parte dos presídios do Estado de São Paulo. Na região de Bauru, de acordo com o sindicato, das 33 unidades, 30 já estão paralisadas.
Anteontem, após uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, foi decidido que a paralisação continua por tempo indeterminado.