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Fazenda é ocupada por acampados

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Centenas de famílias que se intitulam como sem-terra, do acampamento do Horto Aimorés, ocuparam, anteontem à noite, a fazenda Santo Antônio, de propriedade do grupo Mondelli, localizada no quilômetro 355 da rodovia Bauru-Iacanga, em Bauru.

A reportagem do JC esteve no local na manhã de ontem e conversou com o grupo, liderado por Laércio Neves, de 53 anos.

Ao JC, ele afirma que o comboio de carros chegou à fazenda por volta das 20h de sexta-feira, com aproximadamente 1.500 famílias, inclusive com crianças. Todos movidos pelo desejo da reforma agrária.

“Somos um movimento sem-terra pacífico, bandeira branca, sem ligação com o MST (Movimento Sem Terra). Essa área é do governo federal e está cheia de dívidas e improdutiva há muitos anos. É só olhar para o mato alto para constatar o abandono. Não queremos confusão, só fazer com que esse pedaço de terra seja destinado à reforma agrária”, ressalta Laércio.

O grupo, segundo o JC apurou, é formado por pessoas de Bauru, de municípios vizinhos, do Mato Grosso, da Bahia e até de Rondônia. 

Na manhã de ontem, os acampados montavam barracas em toda a imediação da fazenda, que teria aproximadamente 900 alqueires.

Na ocasião, o imóvel existente no local não havia sido ocupado e nem possuía sinais de depredação. Somente a varanda e a área da churrasqueira da casa, que recebeu uma cozinha improvisada, além de um casebre abandonado ao lado, eram utilizados pelo grupo conforme o JC constatou. Crianças também faziam uso de uma piscina existente no quintal do imóvel.

Além dos acampados, estavam no local dois caseiros da fazenda em questão. Em conversa com o JC, eles negaram improdutividade da terra.

“Não é improdutiva. Tem criação aqui. Que eu saiba, a terra foi arrendada e eles devem colocar mais gado”, comenta Edemilson Evangelista. 

A Polícia Militar (PM) acompanhou alguns momentos da ocupação e registrou ontem o ocorrido no plantão da Central de Polícia Judiciária (CPJ). Para a PM, o número de famílias presentes na fazenda não chega a 500.

“Eles são tranquilos, mas registramos um possível furto de duas selas e um arreio. Um cano de água também foi estourado”, frisa Edemilson.

Questionado sobre o suposto furto, o líder do grupo rebate.

“Ninguém aqui furtou nada, mas se descobrirmos que isso aconteceu mesmo, essas pessoas serão expulsas do nosso acampamento. Não queremos confronto para o nosso lado”, rebate Laércio sobre a suposta acusação.

A gestão do frigorífico, assim como de algumas posses do grupo Mondelli, como a fazenda em questão, está atualmente sob os cuidados da Justiça por meio de interventores legais nomeados.

REINTEGRAÇÃO

O advogado da gestora judicial no Mondelli, Thiago Munaro Garcia, informou ontem que foi obtida uma liminar para reintegração de posse da fazenda, que será cumprida hoje, às 9h, com força policial. “Na semana passada, em virtude de boatos sobre suposta invasão, já haviamos conseguido uma liminar de interdito proibitório, mas como não houve invasão e sequer aproximação, àquela época, de famílias de sem-terra, a liminar perdeu o objeto. Aproveito para dizer que a fazenda está em fase de negociação para arrendamento das terras”, concluiu.

 

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