Uma onça suçuarana fêmea literalmente parou a avenida Nações Unidas, nas imediações do Parque Vitória Régia, no último dia 13, quando se refugiou em uma das árvores do local. Capturado e tratado, o felino foi solto e voltou ao seu habitat natural.
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Malavolta Jr. |
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Suçuarana capturada no Parque Vitória Régia no último dia 13 de março |
A inusitada e curiosa visita da onça em uma das mais movimentadas regiões da cidade levantou várias questões entre os bauruenses, entre elas, a dúvida sobre os motivos que têm trazido cada vez mais animais silvestres às cidades. Quem nunca viu ao menos uma foto de jacaré ou capivara no Rio Bauru, ou uma matéria sobre tamanduá, gaviões e outros animais que aparecem em residências?
De acordo com o diretor do Zoológico de Bauru, Luiz Pires, as razões para tais “visitas” são muitas. “Alguns animais estão abundantes devido ao desequilíbrio ecológico que vem ocorrendo, como é o caso dos saguis, que não eram da região de Bauru e foram soltos por aqui. Sem predadores, eles se reproduziram em grande número e, hoje, encontram fartura de alimentos”, avalia.
Ainda segundo Pires, a própria oferta de alimentos leva os bichos à reprodução descontrolada. Outro exemplo de “invasão” é o das maritacas, que encontraram segurança para a reprodução no forro das casas. Nesses locais, as aves estão livres dos predadores naturais das matas e obtêm sucesso reprodutivo bem maior do que no passado. “Os filhotes nascem reconhecendo o seu ninho como local seguro para a reprodução. E a cada ano aumenta o número desses animais nas cidades”, comenta.
Tal realidade não é positiva na avaliação de Pires, porque à medida em que esses animais se aconchegam no meio urbano, criam problemas para eles e para os humanos. Maritacas roem fios e causam curto-circuito, os gambás podem ser portadores de doenças, assim como os saguis, que podem ser portadores de praticamente todas as moléstias humanas. Maritacas, saguis e gambás são as espécies mais comuns por aqui, segundo Pires.
Desmatamento
Outro ponto a ser levado em consideração é a expansão da cidade, que está muito próxima das reservas ambientais. “Loteamentos e condomínios estão se afastando cada vez mais do Centro e, quanto mais próximo o homem chega das áreas em que vivem os animais, é claro que maior é a possibilidade de contato com eles. Isso, somado ao desmatamento e à escassez de alimento, obriga-os a procurar por comida perto dos seres humanos”, destaca.
Cuidados
Algumas espécies têm a alimentação bastante variada, encontrando comida em latas de lixo, quintais, potes de ração de animais domésticos... “O primeiro passo para evitar a reprodução desenfreada desses bichos nos centros urbanos é evitar a oferta de comida. Não deixar ração de cachorro e gato servida em pratos o dia todo é uma das ações que geram bons resultados”.
Acondicionar o lixo de maneira correta e não deixá-lo exposto evita ratos e, consequentemente, cobras. Para não oferecer abrigo para maritacas, por exemplo, a dica é fazer vistoria em telhados e forros e tapar os buracos.
