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?Querem pregar a volta do pelourinho?

Vítor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Bandidos amarrados em postes, comentários com diversos preconceitos nas redes sociais, a chamada lei contra o terror e a campanha pela redução da maioridade penal. Esses e tantos outros, para o deputado federal Ivan Valente (PSOL), são sintomas de uma onda reacionária que se mostra cada dia com mais força e o preocupa. “Mais do que reacionária. São ideias retrógradas”, diz.

 

Com mais de 40 anos de atividade política, o deputado federal, que é líder do partido na Câmara, esteve em Bauru para o ato “Os 50 Anos de Luta Contra a Ditadura Militar”. Ele participou ainda de uma mesa-redonda com diversos temas, entre eles os recentes comentários polêmicos da jornalista e âncora televisiva Rachel Sheherazade. Em visita ao Café com Política, do Jornal da Cidade, o parlamentar discorreu sobre o tema.

 

“Querem pregar a volta do pelourinho”, declarou Valente, em referência ao antigo método de punição da época colonial, em que os julgados criminosos eram colocados em locais públicos, amarrados e castigados.

 

O deputado acredita que tal onda reacionária cresce justamente porque a sociedade ainda é muito conservadora, mas também porque estão sendo conquistados cada vez mais direitos civis. “Essas ideias retrógradas ganham cada vez mais espaço. Porém, acredito que os direitos civis também estão crescendo. Essas ideias acabam sendo uma reação a essa conquista de direitos”, analisa.

 

Contudo, Valente acredita ainda que o próprio enfraquecimento da esquerda com a chegada do PT - partido que ele deixou há 8 anos - ao poder também abriu campo para os chamados reacionários conservadores. 

 

“Há 30 anos, o PT tinha um campo de esquerda. O que verificamos é uma direitização da esquerda. Ao chegar ao governo, o PT se igualou na continuidade das políticas econômicas e sociais. Entendemos que o PSOL é o que chamamos hoje de referência de esquerda”, defende.

 

Nesse contexto, Ivan Valente destaca que a internet – tanto as redes sociais quanto a seção de comentários de grandes portais - se tornou um local de propagação dessa onda reacionária. “A internet é saturada por essas opiniões e encontra seus seguidores. Mas o que ocorre também é que virou um espaço de pistolagem política. E, atualmente, a direita está muito mais organizada na internet”.

 

Manifestações

 

Em relação às manifestações que pipocaram por todo o Brasil no ano passado, o deputado federal teoriza que elas “destravaram a luta social”. Ele as compara ao movimento “Diretas Já” e ao levante que resultou no Impeachment de Fernando Collor de Mello.

 

“A diferença é que, ao contrário dessas outras, as manifestações de junho não tinham um foco bem definido. Era um mosaico sem foco. Mas o mais importante foi que o povo foi para a rua de novo. Existe essa insatisfação no ar”, destaca.

 

Ele exemplifica com a recente manifestação na Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) por conta da tarifa de estacionamento. “É o povo se revoltando contra a perda de direitos”, conclui.

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