Tribuna do Leitor

Revistinhas de Zéfiro


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Havia o Zéffiro (com dois "f"), italiano da Toscana, radicado em São Paulo, sem nenhum parentesco com o titular da "revistinha", mas somente a mesma pronúncia, homônima.

As pessoas que estão na faixa etária dos "enta" e "tenta" devem lembrar-se dos "catecismos", como eram chamadas as edições, revistas pornográficas, em preto e branco, nas décadas de 1950 até 1970. Evidentemente, nada tinha a ver com o catecismo da Igreja, apenas o tamanho era igual. Falava sobre a iniciação, a educação sexual dos jovens. O seu criador, de pseudônimo Carlos Zéfiro, chamava-se Alcides Aguiar Caminha, carioca. Nasceu em 1921, faleceu em 05/07/1992. Era casado com dona Serat Caminha, tiveram cinco filhos.

Na época, a revistinha tinha tiragem "recorde", mais de 30 mil exemplares, sem concorrentes. Marmanjos e a meninada corriam às bancas à procura das novas edições. Considerada revista pornográfica, mostrava em suas páginas desenhos à mão livre do próprio Zéfiro, sobre nus de homens e mulheres em posições obscenas. Nas casas, os pais jamais poderiam saber que os seus filhos lessem pornografia. O "catecismo" era escondido debaixo do colchão de dormir, na gaveta da escrivaninha, nos banheiros e até nos telhados.

Durante todos esses anos, Alcides ficou no anonimato, pois, sendo funcionário público, não podia ter o seu nome relacionado a qualquer tipo de escândalo, principalmente a pornografia. A Lei nº 1711 de 1952 previa punição severa para funcionário público que fosse enquadrado por "incontinência pública escandalosa". Além de perder o emprego, havia o comprometimento com a renda familiar e dificuldades de conseguir um novo emprego. Durante a ditadura militar, em 1970, em Brasília, os milicos abriram investigação para descobrir o autor das revistinhas. Chegaram a prender algumas pessoas, não o Zefiro (Alcides). Enfim, as investigações não tiveram sucesso.

Alcides foi compositor de sambas, frequentava as escolas de samba, foi parceiro de Nelson Cavaquinho em composições para a Mangueira, em 1950, uma delas "A Flor e o Espinho". Reconhecido no Brasil e no Exterior, foi tema no teatro, recebeu prêmios pelo seu trabalho ? 1992 troféu HQ MIX, participou da I Bienal de Quadrinhos. As turmas do "enta e "tenta", que o digam: Salve Zéfiro!

Laerte Mazetto

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