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Ainda em tempo

Fábio Paride Pallotta
| Tempo de leitura: 2 min

Lendo a Folha outro dia tive uma grata notícia: o planador flamingo cedido ao Museu TAM em comodato pela diretoria do Aeroclube de Bauru já foi restaurado e pode ser admirado na próxima cidade de São Carlos. Por uma feliz coincidência, nossa cidade recebeu no fim de semana a presença de Marcos Pontes, tenente coronel aviador da Força Aérea Brasileira, filho da terra e o primeiro astronauta brasileiro. Ele ministrou palestra na ITE-Bauru e no sábado esteve no Aeroclube desenvolvendo a Missão Centenário que homenageia o primeiro voo mais pesado que o ar realizado por Santos Dumont em 1906 e a sua façanha como primeiro astronauta brasileiro, em 2006.

Marcos Pontes, Ozires Silva, Benecdito César (Zico) e outras centenas de pilotos foram formados na Escola de Pilotos do Aeroclube de Bauru em meio a instruções de aviões a motor e planadores. Bauru é a Capital Nacional do Voo a Vela por deter 90% dos títulos nacionais e até pouco tempo atrás contar com muitos aficionados no voo a vela.

Hoje, por questões de crescimento da cidade e exigências quanto à segurança de voo, não se veem mais tantos planadores nos céus como antes, mas poderia ser uma atividade estimulada pelo Aeroclube e a prefeitura, que agora é a responsável pelo gerenciamento das pistas, hangares e demais espaços físicos desse importante espaço histórico e cultural de Bauru. Poderia o poder público municipal e a diretoria do Aeroclube iniciarem conversações com o Museu da TAM em São Carlos para, a partir de projetos muito bem estudados, captar recursos para restaurar os hangares feitos pelos marceneiros e carpinteiros da Noroeste na década de 1940 e criar o Museu do Voo a Vela de Bauru com os planadores ora cedidos ao Museu da TAM, que voltariam à cidade, cobrando ingressos, valorizando a memória do Voo a Vela da cidade e prestando uma justa homenagem aos nossos aviadores que, espalhados por todo o globo, voam com competência nos céus de Dédalo e Ícaro.

É uma proposta ousada e trabalhosa, mas tendo em vista a importância do Aeroclube, seus pilotos, hangares, aviões e planadores para a história e o futuro da cidade, vale a pena que pelo menos seja discutida de forma aberta e corajosa. Não é demais lembrar a todos que por diversas vezes este importante patrimônio histórico material esteve ameaçado de desmonte e venda para gerar recursos para execução de obras públicas.

O patrimônio cultural material de Bauru não pode pagar pela incompetência de alguns de seus administradores em gerar os recursos necessários para a administração do município e não pode o Aeroclube da cidade, com toda a sua importância e acervo, servir para "gerar caixa" para a municipalidade. Vamos tratar esta questão com a seriedade que ela merece e por mãos a obra no projeto e execução do Museu do Voo a Vela de Bauru com seu acervo único no Brasil e no mundo.

O autor é professor de história

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