Agência Brasil |
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Para especialistas, elevação terá efeito pequeno no crédito |
Diante da piora nos índices de inflação e seu efeito sobre a aprovação do governo Dilma, o Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (2) o nono aumento seguido da taxa básica de juros. A taxa Selic subiu de 10,75% para 11% ao ano (veja quadro).
A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado. Também conta com o apoio do Planalto, preocupado com o risco de a inflação estourar o teto da meta, de 6,5%, em plena campanha eleitoral.
No comunicado divulgado após a decisão, o BC deixou em aberto o que fará na próxima reunião, na última semana de maio. O BC diz que os juros foram elevados “neste momento” e que “irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até a próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.
O ciclo atual de alta dos juros completou um ano. Em abril de 2013, quando foi iniciado, a Selic estava em 7,25% ao ano. Agora, já supera o nível do final do governo Lula (10,75% ao ano).
Assessores presidenciais trabalham com a possibilidade de mais uma alta na Selic em maio, para 11,25%, caso a inflação continue mostrando resistência ao longo do primeiro semestre deste ano.
O temor é que a alta dos preços afete a popularidade da presidente nas próximas pesquisas, o que pode alimentar pressões para a troca da candidatura de Dilma pela do ex-presidente Lula.
Efeito no crédito
A elevação da Selic terá um efeito “muito pequeno” nas operações de crédito, de acordo com a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
Segundo o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel de Oliveira, há um grande “descolamento” entre a Selic e os juros praticados junto aos consumidores. A instituição estima que, com a nova Selic, a taxa média de juros para pessoa jurídica passará de 3,32% ao mês (48,04% ao ano) para 3,34% ao mês ou 48,38% ao ano.
