Cultura

Russell Crowe é estrela de "Noé"

Luiz Carlos Merten
| Tempo de leitura: 2 min

Desde que se entende por gente, Russell Crowe sempre gostou de animais. Assim que o diretor Darren Aronofsky lhe propôs o personagem de Noé, com sua arca cheia de bichos, Crowe imediatamente se imaginou cercado pelos animais, dos mais mansos aos mais selvagens. Desapontou-se. “Houve pouquíssimas cenas com animais de verdade. Na maioria das vezes foram digitalizados.” Foi uma das confissões que o astro fez no Rio, quando veio lançar o épico bíblico de Aronofsky.

 

O filme entrou na lista de obras proibidas nos países árabes. Aronofsky trata Noé como um profeta e você sabe que, no mundo árabe, Maomé é o único profeta. Crowe lamenta: “O debate religioso é essencial no filme. Ajudaria muito a eliminar o abismo entre religiões se as pessoas, pelo menos, tivessem noção daquilo em que os outros creem, ou veneram.”

 

Para o ator, a história de Noé não é exclusiva da Bíblia. “Noé é personagem de histórias infantis, a geografia e arqueologia também falam do dilúvio. Não é só mitologia. Existem evidências de que realmente tenha ocorrido.” Acredita que a maneira mais saudável de olhar para Noé é não se ligando a nenhuma religião em particular. 

 

Seu Noé é um personagem trágico, bem diferente do acento cômico que lhe imprimiu o ator e diretor John Huston em A Bíblia. O Noé de Huston era um intervalo cômico num épico bíblico. Na versão de Darren (Aronofsky), ele ocupa a história inteira. 

 

Crowe diz que Noé é um projeto antigo de Aronofsky, desde que o futuro diretor era garoto e estava num hospital. Noé tornou-se tão importante para ele - uma obsessão - que Aronofsky criou uma graphic novel (com Ari Handel), que terminou sendo sua grande referência para o filme. Noé estourou o orçamento, que já era elevado para os padrões do diretor. 

 

Os executivos do estúdio (Paramount) passaram a pressioná-lo e foram feitos vários testes de público para chegar a uma versão ‘palatável’. Mesmo assim, não deu. As reações no mundo árabe o confirmam.

 

O astro absolve o diretor pelo estouro. “Choveu durante 36 dias, quase tanto quanto os 40 do dilúvio. Ninguém previa isso.” Há duas semanas, quando foi entrevistado, Crowe também não podia prever que Noé ia estrear tão bem nos EUA, faturando US$ 43,5 milhões no primeiro fim de semana. Mas o ator já avaliava. Do sucesso de Noé vai depender a continuidade do atual boom de superproduções bíblicas em Hollywood. 

 

Noé estreia no Brasil em 1.015 salas, sinal de que a Paramount aposta no sucesso. O filme sai em versões 2D e 3D. Quase todas as salas do segundo formato (509) estão ocupadas por Rio 2, de Carlos Saldanha, que estreou na semana passada. E na semana que vem entra Capitão América 2, de novo disputando o mercado 3D. 

 

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