Polícia

Universitário relata ?crime e castigo?

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Um estudante de 21 anos do curso de odontologia diz ter sido vítima de roubo seguido de sequestro-relâmpago no final da noite desta terça-feira (1). Após supostamente passar quase seis horas na mira dos sequestradores e sofrer uma sessão de tortura em um matagal na região, segundo seu relato, o universitário foi levado a Piratininga (13 quilômetros de Bauru). Ao chegar à cidade, o rapaz, que estaria conduzindo o próprio carro, jogou-se do veículo em movimento ao avistar viatura da Polícia Militar estacionada. 

 

Preso, o casal acusado, que seria usuário de crack - Ricardo Gomes Fonseca, vulgo Pezão, de 33 anos, e Priscila Cristina dos Santos, 28 - foi conduzido à delegacia de Piratininga. 

 

Após prestaram depoimento, eles seriam transferidos para as Cadeias Públicas de Avaí e Pirajuí.

 

“Eles disseram que só se manifestarão em juízo. De qualquer forma, foram presos em flagrante e não cabe fiança. Representaremos pela prisão preventiva”, frisa o delegado titular da cidade, Marcelo Firmino.

 

Com eles, foram apreendidos cerca de R$ 2,00 em dinheiro, cigarros, um cachimbo de crack e isqueiros, além de instrumentos pontiagudos da própria vítima que estavam no Gol. 

 

O caso  

 

O fato aconteceu por volta das 23h30 desta terça-feira. O estudante contou sua versão ao JC. 

 

Disse que passeava sozinho de carro pela avenida, após sair da faculdade e passar em uma lanchonete.

 

Ao parar no semáforo, na altura da quadra 7 da Getúlio Vargas, teria sido abordado por um homem que anunciou o assalto. 

 

Na ocasião, um dos vidros do carro do estudante, um Vw/Gol, preto, estava com uma proteção de acrílico, que foi destruída pelo assaltante.

 

Alegando estar armado, o acusado teria entrado e sentado no banco do passageiro. Já sua companheira atrás. Ambos exigiam que o estudante seguisse dirigindo sentido à rodovia Marechal Rondon. 

 

“Eles ficaram rondando e pararam no meio do mato, em um lugar que a vítima não soube precisar. Enquanto eles usavam crack, agrediam o estudante. Ao chegarem a Piratininga e o jovem ver a polícia e a chance de escapar, abandonou o veículo em movimento”, afirma o delegado.

 

A estimativa

 

A suposta sessão de tortura teria durado ao menos quatro horas e meia, segundo a vítima. 

 

Em tempo: os assaltantes só teriam cessado as agressões após serem convencidos de que o jovem conseguiria dinheiro, R$ 100,00, na cidade vizinha. 

 

Instrumentos de trabalho da própria vítima, que estavam no carro, foram usados durante as agressões, assim como uma corda e um extintor de incêndio.

 

Os acusados, além de pegarem o celular e a carteira da vítima - que foram recuperadas ao final da ocorrência - também teriam retirado o som do carro do rapaz.

 

Antecedentes

 

Ricardo Gomes Fonseca, vulgo Pezão, segundo o delegado, possui uma ficha criminal extensa, que inclui furtos, roubo, e porte de entorpecentes. “Ele cumpre medida restritiva de direito. E, provavelmente não poderia estar na rua”, frisa o delegado Marcelo.

 

Já Priscila Cristina dos Santos é ré primário, mas, segundo o delegado, já esteve envolvida em situações de apreensão de entorpecentes.

 

'Achamos que fosse ataque a banco'

 

Os policiais que presenciaram a cena do rapaz de 21 anos se jogando do Gol preto em movimento, por volta das 5h30, estavam estacionados na praça Virgem Imaculada, em frente à paróquia Santa Maria, no Centro de Piratininga. 

 

“Estávamos em ronda bancária. Foi um susto quando ele se jogou do carro. Achamos que fosse ataque a banco. Pensamos: ‘Nossa, eles vão atirar em nós. Mas aí, ouvimos a vítima gritando no chão que tinha sido sequestrada e procedemos com a abordagem ao veículo, que parou após bater na guia”, contam os soldados Robson Amaral e Fernando Slompo.

 

Segundo os PMs, os supostos assaltantes não resistiram à prisão e foram capturados ainda dentro do veículo. A vítima teve apenas algumas escoriações pelo corpo, já que seguia com o veículo em baixa velocidade.

 

“Em 10 anos de serviço aqui, nunca presenciei nada parecido”, finaliza o soldado Amaral ao JC. 

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