A Europa não deve relaxar na preparação de sanções econômicas duras a serem possivelmente aplicadas contra a Rússia porque Moscou não reduziu as tensões sobre a Ucrânia, disse o chanceler britânico, William Hague, nesta sexta-feira (4).
Hague, ao chegar para uma reunião de chanceleres da União Europeia, disse que um grande número de tropas russas ainda permanece na fronteira leste da Ucrânia. Houve apenas uma “retirada simbólica” dessas forças até o momento e a situação permanece muito perigosa, disse.
“Nós não vimos uma verdadeira redução pela Rússia e, portanto, a Europa não deve relaxar na preparação de um terceiro nível de sanções e garantir que continuamos a ter uma resposta forte e unida”, disse Hague, referindo-se às medidas econômicas e comerciais que a UE ameaçou impor à Rússia se Moscou invadir outras regiões da Ucrânia após a anexação da Crimeia.
McDonald’s fecha
O McDonald’s anunciou nesta sexta-feira (4) que fechou seus restaurantes na Crimeia, o que provocou o temor de represálias, já que um proeminente político russo pediu que todas as redes de fast food dos Estados Unidos na Rússia sejam fechadas.
A anexação da Crimeia pela Rússia, medida que a Ucrânia e o Ocidente não reconhecem, preocupou as empresas com ativos nessa península do Mar Negro, uma vez que não está claro como a mudança poderá se refletir nos negócios.
Embora o McDonald’s não tenha mencionado a situação política na sua declaração, sua decisão de deixar Simferopol, Sebastopol e Yalta pode ser vista como emblemática nas relações Ocidente-Rússia, agora no ponto mais baixo desde o fim da Guerra Fria.
“Como muitas outras empresas multinacionais, o McDonald’s está avaliando as potenciais implicações comerciais e regulamentares que podem resultar da evolução da situação na Crimeia”, disse a empresa em comunicado.
“Devido à suspensão de serviços financeiros e bancários necessários, não temos opção a não ser fechar os três restaurantes na Crimeia.”
As lojas da Crimeia não são franquias, pois são operadas pelo próprio McDonald’s.
O fechamento se seguiu ao anúncio do Deutsche Post, da União Postal Universal, com sede em Genebra, de que não está aceitando cartas com destino à Crimeia, já que a entrega na região não é mais garantida.
As relações econômicas entre russos e ucranianos têm piorado desde que a Rússia anexou a Crimeia no mês passado, em resposta à destituição do presidente Viktor Yanukovich, apoiado pelo governo russo, depois de meses de protestos de rua em Kiev.
Sanções específicas impostas contra um número determinado de autoridades russas pelos Estados Unidos e a União Europeia vêm alarmando alguns investidores estrangeiros.
A Rússia aumentou na quinta-feira o preço que cobra do gás fornecido à Ucrânia, pela segunda vez nesta semana, quase duplicando o valor em três dias ao cancelar descontos anteriores. Embora possa prejudicar os fornecedores russos, o aumento impõe mais pressão sobre a economia ucraniana, já à beira do colapso.
A Rússia costuma usar a energia como arma política para lidar com os seus vizinhos, e agora seus clientes europeus temem que o país possa novamente cortar sua remessa de gás e petróleo.
O governo ucraniano informou que está procurando alternativas, incluindo a compra de gás de países vizinhos ocidentais, uma opção que implicaria a reversão do fluxo nos dutos transcontinentais.