Geral

Ação coletará sobras de remédios

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Quioshi Goto

Maria Benedita Esgotti, do Conselho Regional: “Esperamos atingir um público de 500 pessoas”

O Conselho Regional de Farmácia (CRF) de Bauru, a Secretaria Municipal de Saúde e a Farmácia Hospitalar do Centrinho estão juntos em uma campanha, marcada para o próximo dia 27, na Praça Rui Barbosa, no Centro. Ela tem por objetivo coletar sobras de remédios de uso domiciliar que estejam fora ou dentro do prazo de validade, além de conscientizar a população sobre o descarte correto de medicamentos que ficam armazenados dentro de casa.

 

De acordo com Maria Benedita Esgotti, que é membro do CRF e também farmacêutica do Centrinho, a iniciativa faz parte do projeto “Farmacêutico na Praça”, desenvolvido anualmente pela instituição em todas as cidades do Estado de São Paulo, incluindo Bauru. Porém, dentro da iniciativa, a coleta de medicamentos de uso domiciliar será realizada pela primeira vez no município.

 

“O que nos levou a essa proposta foi um outro projeto que desenvolvemos todos os anos pelo CRF nas escolas da região, denominado Semana de Assistência Farmacêutica (SAF). Quando chegávamos para dar palestras sobre assuntos variados, como drogas lícitas e ilícitas, a primeira coisa que ouvíamos era que as pessoas costumavam jogar as sobras dos remédios nos vasos sanitários. Por isso, vimos a necessidade de fazer uma campanha”, frisa.

 

Na ocasião, haverá coleta de sobras de remédios de uso domiciliar, conscientização da população sobre o tema, aferição de pressão arterial, orientações sobre as causas da oscilação de pressão no organismo, teste digital de glicemia e informações sobre diabetes. “Além disso, terá o esclarecimento de qualquer dúvida que a população tenha sobre a área de saúde que o farmacêutico possa sanar”, completa. Maria acrescenta que espera atingir um público de 500 pessoas.

 

Todos os medicamentos entregues no “Farmacêutico na Praça” serão encaminhados para a Ambicamp, uma empresa especializada em descarte de lixo hospitalar. Maria conta ainda que, por mais que os remédios estejam dentro do prazo de validade, a forma que eles foram armazenados dentro de casa é desconhecida. Por isso, não existe a possibilidade de repassar para outros usuários (veja orientações no quadro ao lado).

 

Depois da coleta, Maria pretende contabilizar a quantidade de medicamentos arrecadados e desenvolver um projeto de pesquisa. Caso constatada a necessidade de ações consecutivas de coleta e descarte de remédios de uso doméstico, existe a possibilidade de implantar um serviço efetivo em Bauru junto à Secretaria Municipal de Saúde, mesmo porque o município ainda não dispõe de uma normatização oficial sobre o tema.

 

Denúncia

 

Therezinha do Menino Jesus Cogo Moreira foi diagnosticada com Doença Renal Crônica (DRC) há exatamente um ano. Logo depois, foi encaminhada ao Hospital de Base (HB) de Bauru, que forneceu gratuitamente uma máquina de diálise para ser usada dentro de casa, além de bolsas com medicamentos utilizados durante o procedimento.

 

Porém, no dia 1º de março deste ano, a paciente morreu vítima de uma infecção peritoneal, que desencadeou a falência múltipla dos órgãos. Quando Therezinha partiu, aos 81 anos, deixou para trás 105 bolsas de diálise, divididas em 35 caixas, com vencimento para 2015. 

 

Em solidariedade com os demais pacientes que sofrem da mesma condição, a família de Therezinha entrou em contato com o Hospital de Base para devolver a medicação. Contudo, eles foram orientados a jogá-la no ralo e a descartar a embalagem para a reciclagem.

 

Em entrevista para o JC no mês passado, o genro de Therezinha, André Luis Requena, reclamou do descaso em relação aos remédios, mas afirmou que não tem como falar mal do atendimento que a sogra teve no Núcleo de Hemodiálise do Hospital de Base. “Nós temos de tirar o chapéu para o Núcleo de Hemodiálise, porque os funcionários foram extremamente atenciosos com a Therezinha”, defende.

 

O genro da paciente não conseguiu levar em consideração a orientação dos funcionários do Hospital de Base e procurou o vereador Fabiano Mariano, que entrou em contato com o JC para tornar pública a situação e, com isso, tirar as dúvidas de outras pessoas que venham a passar pela mesma experiência.

 

“Os familiares da Therezinha entraram em contato comigo para que tomasse alguma providência a respeito. Os funcionários do Hospital de Base aconselharam a família a abrir as embalagens lacradas e jogar o conteúdo no ralo. Eu achei isso muito grave e, por isso, tive a ideia de entrar em contato com o JC”, diz.

 

Em nota, a assessoria de imprensa da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), gestora do Hospital de Base (HB) de Bauru, informou que as bolsas de soro foram destinadas pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (Sessp) diretamente para a casa da paciente, que realiza diálise peritoneal e, portanto, pertencem a ela. 

 

No caso de sobra de medicações, a orientação dos próprios fabricantes é realmente descartar o conteúdo em ralo comum e o plástico da embalagem, em lixo reciclável. Isso porque não há garantia das condições de armazenamento e, por ser um soro não infectante, o descarte indicado para o líquido é o ralo. Se fosse uma medicação infectante, o órgão recolheria o material para fazer o descarte correto em lixo infectante, como o faz diariamente com os resíduos hospitalares.

 

Sem normas

 

Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru informou que a cidade não possui uma normatização oficial quanto ao descarte de medicamentos de uso domiciliar. Por enquanto, eles podem ser entregues em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) ou nas farmácias. Os remédios são devidamente descartados, mesmo que estejam dentro do prazo de validade. 

 

Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também não possui uma regulamentação quanto às pessoas que possuem medicamentos em casa, vencidos ou não, e queiram descartá-los. De acordo com a assessoria do órgão, o indicado seria ler as orientações dos rótulos das medicações, que têm registro da agência, para saber o que deve ser feito para descartá-las ou repassá-las de maneira correta.

 

Serviço

O projeto “Farmacêutico na Praça” será no próximo dia 27, na Praça Rui Barbosa, no Centro, em Bauru, entre 9h e 14h. Quem tiver remédios em desuso dentro de casa, vencidos ou não, podem levá-los até o local. Além disso, as pessoas com dúvidas sobre questões de saúde, como pressão alta e diabetes, serão bem-vindas para receberem orientações. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone do CRF de Bauru, que é (14) 3224-1884.

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