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Jovens se mobilizam por perucas

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Como parte de seus ciclos do terceiro ano do ensino médio, as estudantes Gabriela da Silva Fontes, Júlia Piante e Nayara Oliveira precisavam fazer algo para “promover o bem”. No mês passado ajudaram o Hospital Amaral Carvalho. Neste mês as meninas mostraram que a solidariedade é uma tarefa séria e resolveram promover cortes de cabelos e doar as mechas para a Organização Não-Governamental (ONG) Cabelegria, que fabrica perucas para pessoas acometidas pelo câncer. O “corte coletivo” será nesta segunda-feira.

 

Gabriela da Silva Fontes, 17 anos, conta que todo o terceiro ano do ensino médio deve “promover o bem” em cada mês, até a formatura. “No mês passado nós arrecadamos doações e fomos até o Hospital Amaral Carvalho. Depois resolvemos que íamos participar do Doutores da Alegria e acabamos vendo sobre o Cabelegria na página deles. Nos interessamos pelo projeto e resolvemos adiar o Doutores da Alegria para participar deste projeto”, contou.

 

A diretora da escola, Beatriz Meirelles, explica que a campanha começou interna, mas de repente, muitas pessoas já estavam querendo participar. 

 

“Muita gente começou a compartilhar a campanha e resolvemos que precisávamos de uma cabeleireira: conseguimos seis voluntárias. Também conseguimos seis cadeiras profissionais emprestadas e espelhos. Quem quiser doar um palmo, ou dez centímetros de cabelo, é só comparecer”, ressaltou.

 

Solidariedade

 

Não bastasse promover a campanha até com panfletagem em semáforos, as garotas também vão doar os seus cabelos. “É uma atitude muito linda, principalmente vindo de jovens da idade delas, 17 anos. Hoje vemos tantas coisas ruins envolvendo os jovens, e uma ação dessa virou exemplo”.

 

O “corte coletivo” será nesta segunda-feira, das 8h às 18h, no Colégio Athena, localizado na rua Inconfidência, em frente ao Poupatempo de Bauru. Quem quiser doar, basta comparecer. Pode ser qualquer tipo de cabelo, inclusive com tintura.

 

Cabelegria

 

A reportagem conversou com uma das fundadoras da ONG Cabelegria, de São Paulo, a designer Mariana Robrahn, 24 anos. Ela contou que a ideia de produzir as “perucas solidárias” surgiu depois que uma amiga doou o cabelo para uma campanha da Santa Casa, em São Paulo.

 

“Começou em 17 de outubro de 2013. Uma amiga nossa doou o cabelo para um trabalho parecido, que existia na Santa Casa. A pessoa que confeccionava essas perucas não fazia a arrecadação de cabelo. A Milene Duarte, outra fundadora do nosso projeto, ficou sabendo e disse: vou cortar o meu. Ela começou a comentar com as pessoas que, se fossem cortar o cabelo, não jogassem fora, guardassem. As pessoas aceitaram muito a ideia”, contou Mariana.

 

Para concretizar a atitude, Milene criou um grupo no Facebook. No primeiro dia, o endereço teve 400 pessoas, no segundo dia 1.800. “Ela me ligou e disse: você faz uma capa para eu pôr no grupo? Ela foi em casa e tivemos a ideia de fazer uma campanha de arrecadação de cabelo e criamos o Cabelegria”, acrescentou.

 

Com muita força de vontade, as meninas conseguiram parceria com uma cabeleireira da Lapa e sua costureira de perucas. “A Andrea Lopes até nos fornece a touquinha para as perucas. Nós recebemos as mechas de cabelos, encaminhamos para ela e ela nos devolve a peruca pronta. Nós enviamos para o Brasil todo”, contou.

 

Atualmente, depois de uma reportagem no programa Caldeirão do Huck, ela recebe uma média de 120 porções de cabelo diariamente. 

 

Apoio local

 

A diretora do Colégio Athena, Beatriz Meirelles, quer ser um polo da Cabelegria em Bauru. “Nós precisamos ter alguém de confiança, até mesmo para saber se as perucas estão sendo entregues de maneira correta”, completa Mariana Robrahn, da ONG.

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