Articulistas

All things must pass

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Não pense, pelo título acima, que domino o inglês. Não sei. Só um pouco, bem pouco. Meu tempo de aprender parece ter passado. Meu pai tinha um pôster do Noroeste na oficina em Ourinhos. Isso bem antes de eu cogitar morar em Bauru. O Noroeste já passou por tantas divisões. A oficina passou, eu mesmo usei aquele ferrinho para fechar de vez. Não podia passar sem essa.

Finalmente vi o vídeo da Kombi na internet. Ela se despede. Com idosa voz feminina, diz que já foi bem rodada. Rodou, rodou e passou. Fora do Youtube, tivemos perdas na semana, como a de Dino Franco, referência do mundo sertanejo. Cantor, compositor, produtor, radialista, autêntico. O mundo da música raiz está ficando sem peças de reposição, como a Kombi. E o intenso José Wilker? Quem diria, saiu de cena ontem.

Nossos velhos ídolos estão passando, mas não em branco, graças a Deus. Amigos já passaram e é difícil passar sem eles. Outros tantos bons ficam e sempre dão uma passadinha, ainda bem. Li esses dias um artigo sobre o "fim do futuro". Era uma reflexão de um sociólogo polonês, Zygmunt Bauman. "Sou tudo, menos desesperançoso. Confio que os jovens possam perseguir e consertar o estrago que os mais velhos fizeram", diz. Mas alerta: "Os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real".

Esses jovens vão virar adultos e, claro, passarão. Cada um passando para a história do seu jeito, com a Kombi, a oficina do meu pai e o Dino Franco. Não há crueldade nisso. "Todas as coisas precisam passar", como no título da canção acima, do ex-beatle George Harrison. Mas ele, que também já passou, registrou em outra canção, "Rising Sun": "Ao nascer do Sol, você pode sentir sua vida começar. O Universo em jogo dentro do seu DNA". Viva a vida que passa. Passemos bem até passarmos também.

O autor é editor executivo do JC

Comentários

Comentários