Regional

Adolescente diz que matou por ódio

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

O adolescente de 17 anos envolvido na morte do estudante de Agudos (13 quilômetros de Bauru) Igor Alves, de 15 anos, foi localizado ontem de manhã por policiais civis da Delegacia Seccional de Bauru na casa de familiares, no bairro Fortunato Rocha Lima, em Bauru. Em depoimento na delegacia de Agudos, ele confessou o homicídio com riqueza de detalhes e alegou que cometeu o crime por ter ódio de homossexual.

Segundo o delegado titular de Agudos, Jader Biazon, desde o dia 1º, quando o jovem teve a internação provisória por 45 dias decretada pela Justiça, equipes da delegacia da cidade e das Delegacias Seccional e de Investigações Gerais de Bauru vêm realizando diligências para tentar encontrá-lo.

“As buscas foram intensificadas no final de semana porque haviam diversas informações de onde ele poderia estar. A partir do Setor de Inteligência da Delegacia Seccional, nós conseguimos apurar o paradeiro dele e, na manhã de hoje (ontem), nós conseguimos localizá-lo na rua 11”, revela.

O adolescente foi ouvido pelo delegado, na presença do Conselho Tutelar, por cerca de quatro horas. “Ele confessou o crime com riqueza de detalhes”, diz. A polícia também fez buscas para tentar localizar a lâmina da faca usada no crime e as roupas que o jovem vestia na ocasião, mas os objetos não foram encontrados. As diligências prosseguem hoje.

Premeditado

O adolescente contou ao delegado que conheceu o estudante quando cumpria medida socioeducativa de semiliberdade e retornava a Agudos aos finais de semana para visitar sua mãe. Ele negou ser homossexual, mas disse que passou a se relacionar com Igor por saber que ele era homossexual.

Segundo o jovem, a vítima se apaixonou por ele, mas ele nunca gostou dela. Na madrugada do dia 29 de março, eles se encontraram com amigos em um bar no bairro Mário Campezato.

De lá, o adolescente de 17 anos e um amigo de 15 anos atraíram a vítima até uma plantação de pinus próxima ao acesso Richard Freudemberg sob o pretexto de manterem relações sexuais.

Antes, porém, ele revela que foi até sua casa buscar uma faca de cozinha. O jovem alegou que sentiu vontade de matar o estudante pelo fato de ele ser homossexual.

Crime brutal

Ainda de acordo com relato do adolescente ao delegado, ele deu um abraço em Igor e fez um sinal para o garoto de 15 anos, que deu uma “gravata” na vítima pelas costas e tapou sua boca.

Em seguida, o jovem deferiu uma facada no tórax do estudante, quebrando o cabo da faca. Segurando apenas a lâmina, ele continuou esfaqueando a vítima no pescoço até que ela caísse.

Para “finalizar” o crime brutal, o adolescente declarou que pegou um pedaço de madeira e, com ele, cravou a lâmina no pescoço de Igor, além de pisotear sobre a sua cabeça.

Ele afirmou ao delegado que enterrou a lâmina da faca próximo ao local e jogou as suas roupas em uma ribanceira nos fundos de sua casa. A fuga para Bauru teria ocorrido no dia 31.


17 anos e duas mortes

Em março do ano passado, o adolescente de 17 anos matou o comerciante Waldiney Rocha, de 56 anos, com 16 facadas. A vítima também era homossexual.

Ele ficou internado na Fundação Casa de Iaras até outubro, quando o Tribunal de Justiça (TJ) converteu a internação em semiliberdade e ele foi transferido para uma unidade de Marília.

No dia 26 de março, a Justiça de Marília julgou extinta a medida socioeducativa e o jovem foi solto. Três dias depois, ele cometeu o novo homicídio.

O crime fez com que a discussão sobre a redução da maioridade penal fosse retomada. Enquanto alguns defendem que o adolescente deve ser responsabilizado por seus crimes a partir de 16 anos, outros consideram que a solução passaria por uma revisão do sistema prisional.

Foto: Divulgação/Polícia Civil

Jovem indica onde jogou as roupas que vestia no dia do crime

 

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