As obras de pavimentação na avenida Lúcio Luciano, no trecho de 1,5 quilômetro até a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225) começaram em novembro do ano passado e a previsão de término seria para julho deste ano. Porém, houve um imprevisto. 11 postes de iluminação pública estão literalmente no meio da avenida e, mesmo assim, o serviço de terraplanagem continua.
A cena inusitada ocorre porque não se previa uma avenida ali. Com o crescimento da cidade, a via foi necessária e os postes já estavam naquele local.
De acordo com o engenheiro eletricista da Divisão de Iluminação Pública da Secretaria Municipal de Obras, José Rodrigo de Oliveira, a prefeitura já acionou a CPFL Paulista para a retirada das colunas. O problema é que isso significa gastos nos cofres da prefeitura.
Embora a obra tenha sido viabilizada por um convênio entre o município e o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), qualquer interferência que não esteja prevista no projeto deve ser custeada pela prefeitura.
“O serviço de retirada dos postes foi dividido em duas etapas. Uma delas contempla a rua Professora Nair Araújo Antunes, que possui dois postes a serem removidos. Neste caso, a fatura da CPFL chegou e a prefeitura já quitou o pagamento. Outra etapa seria na avenida Lúcio Luciano, próxima à Fundação Casa, que tem nove colunas. Nós já encaminhamos a fatura para o pagamento”, explica.
Mesmo com os postes de iluminação no meio do caminho, o serviço de terraplanagem ocorre normalmente na via. O Secretário Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, frisa que, quando a CPFL Paulista realocar as colunas, as áreas que não foram contempladas pelo serviço passariam por um acabamento.
Outro lado
Em nota, a assessoria de imprensa da CPFL Paulista informou que a companhia não recebeu, até o momento, a execução da etapa principal das obras de remoção dos postes, necessária para a duplicação da via. Além disso, a companhia precisa também de informações sobre o novo alinhamento, que devem ser enviadas pela construtora que atua no local.
Mesmo sem a confirmação, a empresa considera a obra como prioridade e já mobiliza equipes para que o cronograma seja cumprido no menor prazo possível. De acordo com a regulação do setor elétrico, a distribuidora tem o prazo de 45 dias para dar início à obra depois de confirmada e de 60 dias para terminá-la.
A assessoria acrescenta ainda que a CPFL Paulista não instala postes de iluminação pública no meio das vias, mesmo porque os locais destinados ao serviço seguem o traçado do arruamento definido pelas prefeituras ou pelos loteadores responsáveis pelas áreas.
Moradores reclamam de rachaduras nas paredes
Além dos postes no meio da rua, os moradores reclamam de outro problema por conta das obras. Segundo eles, a movimentação das máquinas estaria causando rachaduras nas paredes das residências que têm uma construção mais antiga.
De acordo com Geovani Miranda Quintino, que vive na quadra 1 da rua Jesus Blasques, no Núcleo Residencial Presidente Geisel, as rachaduras apareceram desde o início das obras. “Chegou a abrir um buraco na parede da sala”, conta o morador.
RESPONSABILIDADE
Em nota, a assessoria de imprensa do DER comunicou que, para que o órgão pudesse intervir em um trecho sob jurisdição municipal, foi celebrado um convênio entre a prefeitura e o governo do Estado. Portanto, os moradores deveriam procurar a prefeitura para que seja feita uma vistoria técnica nas residências afetadas.
Já o Secretário Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, entende que não tem responsabilidade sobre possíveis danos a terceiros causados pelas obras de pavimentação. Porém, Rodrigues afirmou que vai conversar com representantes do órgão para discutir o que poderia ser feito, caso constatado que as rachaduras foram provocadas pelos serviços executados pela empreiteira contratada pelo DER.
“Por outro lado, dificilmente a obra de pavimentação traz algum dano aos imóveis. Se eles apresentarem trincaduras ou alguma outra coisa, deve ser por outro problema relacionado à estrutura das residências”, conclui.
Obras
Conforme o JC já noticiou, após alguns anos de espera, as obras de pavimentação da avenida Lúcio Luciano, no trecho de 1,5 quilômetro até a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, passando pela Fundação Casa, começaram em novembro de 2013. Trata-se de um dos principais acessos para a região Leste de Bauru.
O projeto está orçado em R$ 1,7 milhão e, de acordo com o contrato entre o governo do Estado de São Paulo e a empreiteira, deveria ficar pronto dentro do prazo de seis meses. Segundo a assessoria de imprensa do DER, órgão que viabilizou a obra em conjunto com a prefeitura, os serviços devem ser concluídos em julho deste ano.