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A mentira como método

Pedro Tobias
| Tempo de leitura: 3 min

Sou médico. Na faculdade, aprendemos cedo que a ética deve ser a mais importante qualidade da profissão. Quando falta ética, sinônimo de caráter, a pessoa pode ser vítima do oportunismo e se aproveitar das circunstâncias para tirar proveito em benefício próprio.

É o que acontece com Alexandre Padilha ? que, em busca do reconhecimento que não obteve como ministro da Saúde, se utiliza da maior seca que atingiu São Paulo em 80 anos para tentar se promover de modo eleitoreiro.

Talvez Padilha não estivesse em São Paulo em 1995, ano em que o PSDB assumiu o governo. Mais de 5,5 milhões de pessoas sofriam com rodízio de água na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Logo no primeiro momento foi implantado o Programa Metropolitano de Água, que, com 80 grandes obras e investimentos superiores a R$ 2 bilhões, terminou com o rodízio três anos depois.

De lá para cá, grandes obras têm sido realizadas regularmente. O Cantareira, que já foi responsável por 60% do abastecimento da população atendida pelo Sistema Integrado da RMSP, atualmente participa com 48%, com tendência de queda para 37% em 2025. Está em andamento a construção do novo sistema produtor de água São Lourenço, uma PPP com investimento de R$ 2,2 bilhões e entrega prevista para 2018. Estamos falando de obras já concluídas e outras em andamento: o nome disso é planejamento e ação.

Talvez Padilha também não saiba, porque não conhece o assunto e só repete o que lhe sopram no ouvido, mas órgãos insuspeitos do governo federal reconhecem a excelência de São Paulo nesta área. No último "Atlas do Saneamento Urbano" publicado pelo IBGE, podem-se ler frases como: "No quesito acesso a água, destaque para o Estado de São Paulo, onde a quase totalidade dos municípios tem abastecimento de água por rede geral em todos os distritos (...). Mais uma vez, o Estado de São Paulo destaca-se pela alta proporção de municípios e de distritos por município com tratamento da água distribuída."

Mas aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem. É o caso de Padilha e do PT. O último levantamento publicado pelo Instituto Trata Brasil, o mais respeitado do Brasil na área de saneamento, demonstrou que só oito das 114 obras do PAC saneamento lançado em 2007 foram entregues. O levantamento aponta ainda que 60% dessas obras estão paralisadas, atrasadas ou não foram iniciadas.

Padilha também fala mal do ritmo de construção do metrô de São Paulo, que transporta 8 de cada 10 passageiros de metrô de todo o país. Entre outras grandezas, ele afirma que o governador Alckmin só entregou 5 estações do Metrô na sua atual gestão. Podemos comparar e perguntar quantas os governos da Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, todos governados pelo PT, entregaram nos últimos quatro anos? Padilha sabe a resposta: nenhuma.

O ex-ministro vinha sendo apresentado como alguém que debate ideias e programas. O fato é que o novo rosto que o PT apresentou não esconde a velha face do partido, que tem a mentira e a baixaria como método.

O autor é médico e deputado estadual pelo PSDB

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