Thiago Vendrami |
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Reinaldo de Oliveira Montovani é suspeito de matar a própria mãe |
O principal suspeito de matar Clarice de Oliveira Montovani, 57 anos, foi preso na noite desta quarta-feira (9), em uma área próxima ao bairro Gasparini, onde ocorreu o crime, em Bauru. Reinaldo de Oliveira Montovani, 31 anos, é filho da vítima e já teve expedido um mandado de prisão temporária, válido por 30 dias. (Leia mais abaixo). Ele nega ter matado a mãe, mas assume que a roubou e pegou o carro. Trata-se do segundo caso de filho que mata a mãe em apenas três dias em Bauru. (leia mais abaixo).
Segundo informações do delegado Mário Henrique Ramos, o suspeito se sentiu ameaçado por usuários de drogas da região, que tiveram acesso à informação do crime e o repreenderam. “Reinaldo sentiu medo quando passaram a acusá-lo de matar a própria mãe e então ligou para sua irmã e pediu para ela o buscar em um local conhecido por ser frequentado por usuários e traficantes, perto de onde ocorreu o crime”, contou o delegado. No encontro, junto com a irmã, foram policiais da 4ª Companhia, responsável por aquela região.
Durante a madrugada desta quinta-feira (10), enquanto a reportagem do JCNet conversava com o delegado, o juiz Cláudio Augusto Saad Abujamra acatou o pedido de prisão temporária por 30 dias, válido a partir da 0h desta quinta-feira (10).
Reinaldo, que trabalhava como auxiliar de serviços gerais, recebeu seu salário na última sexta-feira (4), parte em dinheiro e o restante em cheque. O dinheiro foi utilizado para compra de crack, enquanto o cheque foi trocado por sua esposa na segunda-feira para pagar contas da família.
Com o argumento de vir receber seu salário, ele teria planejado passar o fim de semana (5 e 6) na casa da mãe, junto com sua esposa e filho, mas há suspeita, até mesmo da família, que fez isso para ter acesso fácil ao crack.
Na sexta-feira (4), Reinaldo já havia consumido quatro pedras de crack. Depois, trocou o micro-ondas da mãe por outras cinco pedras, no valor de R$ 50,00, e o celular por três, no valor de R$ 30,00. Além dos produtos, subtraiu mais de R$ 160,00 em dinheiro da carteira.
Consta em relatório apresentado pelo delegado, que, após passar o efeito dos entorpecentes, Reinaldo costumava devolver parte do dinheiro que roubava da mãe.
Ele também possui diversas passagens pela polícia. O suspeito foi internado duas vezes em clínica de reabilitação para tratar da dependência, que começou quando tinha 15 anos.
O medo das ações do filho fazia com que Clarice trancasse a casa inteira à noite e durante seu horário de trabalho mantinha a porta de seu quarto fechada com chave, à qual Reinaldo não teria acesso.
Veja como foi o crime
Reprodução/Facebook |
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Clarice de Oliveira Montovani, 57 anos, foi encontrada morta no banheiro de sua casa |
Amigos contam que Clarice de Oliveira Montovani, 57 anos, havia acabado de vencer um câncer. A batalha foi em vão. Na tarde de desta quarta-feira (9), ela foi encontrada morta no banheiro de sua casa na quadra 1 da Rua Dos Metalúrgicos, no Núcleo Residencial Gasparini, em Bauru.
Segundo a Polícia Civil, ela teria sido asfixiada por um fio de torradeira e o principal suspeito é o filho da vítima, que já tem passagem pela polícia. Trata-se do 18º homicídio em 2014 em Bauru.
Colegas de trabalho sentiram falta da cozinheira viúva, que tinha um casal de filhos e cinco netos, mas vivia sozinha na residência. Preocupados, entraram em contato com a família. Por volta das 14h, acompanhados pelo neto de 15 anos de Clarice, foram até a residência e encontraram o corpo da cozinheira dentro do banheiro.
O portão e a porta da residência estavam trancados. Bastante nervoso, o neto de Clarice pulou o muro e conseguiu entrar na casa. No banheiro, encontrou o corpo da avó.
A Polícia Militar (PM) foi acionada logo em seguida. De acordo com o major Alan Terra, os móveis da casa estavam revirados. “Porém, não havia sinais de arrombamento no portão nem na porta da residência”.
Terra acrescenta ainda que Clarice foi encontrada com um fio de uma torradeira no pescoço. “Provavelmente, ela teria sido asfixiada, mas a definição da causa morte será confirmada pela perícia. Em príncipio, ela foi morta dentro das últimas 12 horas”, explicou o major.
Um Corsa/Sedan, com placas de Bauru, não estava no local. Além disso, um vizinho teria ouvido o filho de Clarice chamar “mãe” na madrugada de ontem (leia mais abaixo).
Filho suspeito
Justamente por conta de o portão estar trancado, o carro ter desaparecido e o relato dos vizinhos, a Polícia Civil apontou que o filho é o principal suspeito do crime. Ele estava sumido desde a manhã de terça-feira (8). De acordo com o delegado responsável pelo caso, Cledson Luiz Nascimento, a polícia trabalha com as hipóteses de latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio, porém, nas duas, o filho é o suspeito.
Éder Azevedo |
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Clarice foi assassinada em sua casa no Núcleo Gasparini |
“Pelos indícios que recolhemos no local e pelo histórico do filho da vítima, faz com que o tratemos como principal suspeito”, declara.
O delegado acrescenta que tudo indica que a motivação teria sido patrimonial, tanto que a tipificação foi feita como latrocínio. “As bolsas e a carteira da vítima estavam reviradas e o carro desapareceu”, diz.
O corpo de Clarisse de Oliveira Montovani foi velado durante a madrugada de hoje no São Vicente. Já o sepultamento está previsto para ocorrer no Cemitério do Jardim Redentor.
Carro foi achado no final da tarde
No fim da tarde de quinta-feira (8), o veículo de Clarice foi localizado entre as ruas Felício Atala e Francisco Maiolo, no Jardim Flórida. A localização do automóvel ampliou as suspeitas da polícia.
O delegado Cledson do Nascimento afirma que pistas apontam que o filho de Clarice esteve em uma residência nas proximidades. O local costuma ser utilizada por usuários de entorpecentes.
Ele teria ido embora do local por volta do meio-dia, deixando o carro e alegando que o automóvel estaria com problemas mecânicos.
O veículo foi vistoriado pela Polícia Científica e encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru. Em seguida, o carro seria levado ao Pátio da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) e, depois, devolvido aos familiares da proprietária.
Vizinhança ouviu o suspeito chamar
Rosineide Mara Silva Queiróz é vizinha de Clarice há cinco anos. “Na madrugada, meu filho fazia um trabalho escolar. Ele ouviu o filho da vítima bater no portão da casa e gritar ‘mãe’”, conta.
A vizinha revela ainda que Clarice havia acabado de superar um câncer. “Ela voltou a trabalhar há pouco tempo e estava se recuperando rapidamente do tratamento contra a doença”, frisa.
Alberto Marques, vizinho e amigo de Clarice há mais de 30 anos, não acreditava no que ocorreu. “Conheço ela e os filhos há muito tempo e sei que o filho dela tem problema com drogas. Mas ela sempre foi muito querida e sempre tratou todo mundo muito bem”, declara.
Mesmo pesar de Fátima Aparecida Perez, que trabalhava junto com Clarice. “Pense em uma pessoa que trabalha com você por 21 anos. Ela vai fazer muita falta”, desabafa.
Outro caso
O assassinato de Clarice Montovani entra para uma triste coincidência. Foi a segunda mulher morta dentro da própria residência em três dias em Bauru.
Na noite do último domingo, Cássia Martins Servulo, 22 anos, matou a mãe Zenaide Martins Servulo, 54 anos, e o cachorro de estimação da família a facadas no Jardim Vitória. O caso gerou comoção na cidade.

