Malavolta Jr. |
|
|
Violinista Matheus Henrique de Moura, ontem, durante ensaio |
O prédio de 1939, com sua fachada clássica inspirada na arquitetura greco-romana e colunas imponentes, foi construído para ser ponto de encontro requintado da cidade. Sediou bailes e mais bailes de Carnaval, eventos festivos... Hoje, fechado para eventos, é aberto ao talento. O Automóvel Clube (que completou 75 anos em 8-4) é o palco de ensaios da Banda e Orquestra Sinfônica Municipais. Uma mudança da “aristocracia” para a cultura. De “Palácio Encantado”, apelido do prédio antigamente, para “Casa da Música”.
O secretário de Cultura de Bauru, Elson Reis, lembra que o local tem atividades diárias durante toda a semana e é espaço de qualificação para jovens músicos.
“O Automóvel Clube, hoje, é a sede da banda e orquestra municipais. É onde acontecem as aulas e os ensaios. E mais: existe também um projeto, chamado ‘Descobrindo a Banda e Orquestra’ em que a banda ou a orquestra vai até as escolas municipais e explicam quais são os instrumentos e a função deles. E também recebe alguns alunos para conhecerem como funcionam os ensaios”, define.
QUANDO?
As atividades musicais ocorrem no Automóvel Clube de segunda a sexta-feira nos períodos da manhã e tarde. “As aulas teóricas, de iniciação, são de manhã. À tarde, são estudos e ensaios dos integrantes da banda e orquestra”, explica Reis.
As aulas de iniciação chegam a ter 80 alunos, que podem também participar do processo seletivo para integrar todo o corpo da banda ou orquestra municipal.
A sinfônica surgiu em 2004 e é composta por 70 integrantes, regidos por Paulo Marcos Gomes Pereira. A banda, que foi criada em 2002, tem 50 componentes, sob regência de André de Souza Pinto.
Os músicos ganham bolsa mantida pela prefeitura por se dedicarem diariamente ao estudo e à prática da música erudita. Os jovens que fazem parte da corporação têm entre 11 e 25 anos e estão, obrigatoriamente, matriculados no ensino regular.
Para saber mais, ligue na Secretaria Municipal de Cultura: (14) 3232-9493.
E processo de seleção?
O processo de seleção de novos integrantes para a banda e orquestra municipais ocorre, em média, uma vez por ano. “É feita uma prova, um exame de aptidão e, a partir da classificação, forma-se uma lista dos pretendentes a uma vaga de bolsista ou da banda ou da orquestra”, diz Elson Reis. A reposição de alunos é feita a partir desta seleção. Quando surgem vagas, os melhores classificados vão sendo chamados, aponta Reis. A rotatividade na composição da banda e orquestra é parte do próprio planejamento do projeto.
“Faz parte do processo de formação. É normal saírem alunos. O projeto é feito para isso. É diferente, por exemplo, de Jaú que tem uma orquestra com músicos contratados”, compara Reis. “A maioria sai para continuar carreira na música. Vão dar aula de música ou vão tocar em outras orquestras como contratados. Muitos fazem faculdade de música, muitos fazem curso em Tatuí”.
Orquestra no Jardim Botânico: domingo
A Orquestra Sinfônica Municipal se apresenta no Jardim Botânico neste domingo (13/4), às 10h, com um repertório de estilo genuinamente brasileiro: o chorinho, dedicado à obra do compositor Pinxiguinha. E contará com a participação de um regional formado pelos músicos Eduardo Johansen, Leandro Miguel e Renan Bragatto. Em comemoração aos seus 20 anos, a direção do Jardim Botânico, criado em 4 de março de 1994, organizou, durante todo ano uma programação de eventos especiais, com a inauguração de novos espaços, de novas coleções de plantas, do novo viveiro entre outras atividades.
Disciplina e talento
Na Orquestra Sinfônica Municipal, são três horas e meia de dedicação em cinco dias por semana. “Uma vez por semana tem ensaio geral e o dia que não é ensaio geral os alunos estudam individualmente”, explica o violinista da Sinfônica, Matheus Henrique de Moura, 20 anos, que está no projeto há quatro anos e meio.
Moura tem toda a sua formação musical, teórica e prática, adquirida no projeto da Sinfônica Municipal. “Aqui dá uma base muito boa sobre o que é música e os professores são excelentes”, elogia. O violinista relata o motivo de escolher se dedicar à música e a opção pelo instrumento. “Sempre gostei de música e assistia a orquestras na internet. O violino foi o que mais me chamou a atenção, resolvi me aprofundar”.
