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PF apreende documentos na Petrobras

Reuters
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Ricardo Moraes/Reuters

Por cerca de cinco horas, a PF buscou cópia do contrato na sede da estatal, no Rio de Janeiro

Em meio à batalha pela criação da CPI da Petrobras, a Polícia Federal apreendeu ontem documentos na sede da estatal, no Rio de Janeiro, em busca de provas que envolvem um contrato suspeito da petroleira no valor de R$ 443 milhões.

Um delegado e três agentes da PF estiveram na antessala da presidente da estatal Maria das Graças Foster, na segunda etapa da Operação Lava Jato (veja quadro), que investiga suposto esquema criminoso que incluiria a “entrega de vultosas quantidades de dinheiro a agentes públicos” e financiamento de campanhas políticas.

Por cerca de cinco horas, a PF buscou cópia de um contrato entre a estatal e as empresas Ecoglobal Ambiental Comércio e Serviços, com sede em Macaé, e sua filial, a Ecoglobal Overseas, com sede no estado de Nevada (EUA), no valor de R$ 443,8 milhões destinado a locação de equipamentos e fornecimento de serviços técnicos especializados.

O contrato começa a vigorar em julho deste ano até o mesmo período de 2018. Conforme o juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara federal de Curitiba, que autorizou os mandados de busca a apreensão, “há fundada suspeita sobre a licitude desse negócio”.

Os investigadores descobriram que em meio a assinatura do contrato com estatal foi fechado um acordo paralelo de compra e venda de 75% da Ecoglobal Ambiental para o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, ambos presos na primeira fase da Lava Jato acusados de serem os operadores do esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Paulo Roberto tem ligações com o PP, PT e PMDB.

CPI

Ao focar a segunda etapa da operação na Petrobras, a PF colocou a estatal no centro das investigações no momento em que a oposição tenta instalar uma CPI no Congresso voltada exclusivamente para apurar irregularidades na petroleira. A base governista se esforça para que a CPI se debruce sobre vários temas que alcançariam governos do PSDB e PSB. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir na próxima semana sobre o alcance da investigação parlamentar.

Os investigadores encontraram uma carta-proposta confidencial assinada em 18 de setembro do ano passado pelos negociantes que condiciona a compra da empresa à efetivação do contrato da Ecoglobal com a Petrobras. A Ecoglobal seria vendida para Paulo Roberto e Youssef por R$ 18 milhões, quando estava prestes a assinar um contrato de R$ 443 milhões, discrepância que chamou a atenção dos investigadores.

Os documentos que indicaram a ligação da Ecoglobal com os dois foram encontrados pela PF na busca e apreensão realizada na primeira etapa da operação. Somente na casa de Paulo Roberto, a PF apreendeu 36 pen drives. “Os fatos sugerem atuação dos compradores das empresas Ecoglobal na obtenção do contrato junto à Petrobras, ainda não esclarecidos os meios, com concomitante aquisição da referida empresa, sugerindo que não poderiam estar antes no quadro social, o que gera fundada suspeita da licitude”, escreveu o juiz ao conceder o mandado de busca e apreensão.

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