O presidente russo, Vladimir Putin, tentou ontem amenizar os temores europeus de cortes de fornecimento de gás, depois que a União Europeia disse que ficará ao lado das novas autoridades ucranianas se o Kremlin cumprir sua ameaça de interromper o abastecimento da Ucrânia.
A Rússia, que no mês passado irritou potências ocidentais ao anexar a península da Crimeia, elevou o preço do gás que vende para a Ucrânia e informou que o governo ucraniano deve 2,2 bilhões de dólares em contas não pagas.
Isso fez ressurgir o espectro das “guerras do gás” anteriores, quando desentendimentos entre as duas ex-repúblicas soviéticas causaram problemas no abastecimento da Europa Ocidental.
Embora a tensão ainda seja grande em torno do leste da Ucrânia, onde ativistas pró-Rússia ocuparam nesta semana edifícios públicos em duas cidades, o foco do impasse entre Moscou e o Ocidente parecia estar se movendo em direção à questão controversa do gás. “Quero dizer mais uma vez: não temos a intenção e não pretendemos cortar o gás para a Ucrânia”, disse Putin em comentários em uma reunião do Conselho Consultivo de Segurança, exibidos na TV. “Nós garantimos o cumprimento de todas as nossas obrigações para com os nossos consumidores europeus.”
Dizendo que os membros da UE estão juntos, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que os países do bloco darão uma resposta comum à carta que Putin enviou aos importadores europeus de gás, na qual apontava a perspectiva de corte de fornecimento para a Ucrânia.