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PM encara tráfico na porta de escolas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

“Do jeito que está não dá para ficar. Tem até diretor recebendo ameaça de morte por traficante. Precisamos aumentar nossa rede de proteção urgente”. A frase foi dita pela diretora de uma escola estadual (E.E.) de Bauru durante um encontro, ocorrido nas últimas semanas, com o Comando do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I). O evento foi convocado pela Diretoria Regional de Ensino (DRE).

Um dado revelado pela própria DRE aponta que, das 51 escolas estaduais de Bauru, ao menos dez estariam com problemas ligados ao tráfico de drogas, algumas, inclusive, com ocorrências internas.

O dado, acrescido pelo relato dramático dos gestores, deram rumo à discussão e fizeram com que o comando do batalhão tomasse uma medida enérgica e pioneira: a implantação temporária de policiais fixos nos portões das unidades mais afetadas. A ação teve início na última terça-feira e já contemplou ao menos sete escolas.

Histórico


Os problemas envolvendo o tráfico de drogas no entorno das escolas, conforme explica a dirigente regional de Ensino, Gina Sanchez,  tiveram início no final do ano passado, mas aumentaram mesmo com o início das aulas em 2014.

“Não é um problema da escola, mas que tem atingido a escola. Alunos menores estão sendo aliciados no entorno, principalmente no horário noturno. Estamos brigando para preservar nossos estudantes”, explica Gina Sanchez.

Nos últimos cinco meses, duas escolas, no Nova Esperança, registraram problemas internos envolvendo drogas.

Em outros pontos, segundo o JC apurou, alunos estariam sendo influenciados para atuarem no tráfico pelo crime organizado.

Na prática, a ação proposta pela PM funciona da seguinte forma:  parte do policiamento de folga e do efetivo administrativo da corporação é direcionado para cumprir plantão, nos horários de entrada e saída dos turnos mais problemáticos.

A medida reforça o trabalho já realizado pelas cinco rondas escolares da cidade.

O plantão de policiamento escolar, entretanto, é uma medida temporária, segundo explica o comandante da PM, tenente-coronel Walter Oliveira.

Na primeira semana de junho, a PM se reunirá novamente com a DRE e os diretores para avaliar os resultados, além de ampliar a ação para a participação de outros órgãos, como o Juizado da Infância e Juventude, o Conselho Tutelar e a própria prefeitura.

“A ideia é deixar ao menos dois policiais de plantão na porta de cada escola até que o problema se normalize”, frisa o tenente-coronel. “Iremos agir para tentar acalmar a situação, mas o foco é chamar a atenção de todas as entidades para o problema”, completa o comandante.

Os nomes de todas as escolas que receberão o policiamento temporário, contudo, não foram divulgados pela DRE. No entanto, Gina Sanchez antecipou que as dez unidades mais problemáticas, que estão espalhadas entre as regiões dos bairros  Nova Esperança, Núcleo Octávio Rasi, Parque Paulistano, Vila Dutra, Núcleo Geisel, Parque Jaraguá e Jardim Ouro Verde, seriam as primeiras a receberem o auxílio em uma primeira etapa.

Início executado

A ação da PM teve início na última terça-feira e gerou expectativa em alunos e funcionários das unidades. Sete escolas estaduais foram contempladas inicialmente pela medida (veja no quadro acima). “Até o momento, direcionamos para a operação cinco viaturas do administrativo, uma viatura do Canil da PM, mais três Rocams (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas), além das cinco viaturas da própria Ronda Escolar”, detalha o coordenador operacional do 4º BPM-I, major Alan Terra.


Ronda escolar

Atualmente, a Polícia Militar de Bauru possui cinco viaturas específicas da Ronda Escolar para cuidar do patrulhamento nas 51 escolas estaduais da cidade.

Como não há estrutura suficiente para suprir toda a demanda, a PM tem agido priorizando os locais mais problemáticos.

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