Quioshi Goto |
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DOR - Longe de Bauru por 25 anos, Fernando César nunca deixou da acompanhar o Alvirrubro e não segura as lágrimas ao falar sobre o amor pelo time |
Mãos na boca. Unhas roídas. Pernas inquietas. A impressão é de que o militar Fernando César assistia a uma final de campeonato. Sozinho, no setor 4 do estádio Alfredo de Castilho, ele aplaudiu, xingou e vibrou durante a partida de despedida do Noroeste da Série A-3 do Campeonato Paulista, na qual perdeu de virada por 2 a 1 para o Votuporanguense. Mesmo sem chances de reverter o rebaixamento para a Quarta Divisão, o time foi acompanhado por torcedores que garantem: nunca o abandonarão.
A expressão já foi usada pelos corintianos, mas Fernando garante ser diferente. “É muito mais fácil acompanhar o Santos, o Corinthians e outras equipes grandes. Quero ver ficar junto de um time sem recurso. Mas a gente precisa acreditar. Se estão dizendo que vão se organizar para subir no ano que vem, eu confio”, conta.
Do Exército, ele viveu 25 anos fora de Bauru, para onde voltou há três meses. Mas Fernando César conta que, mesmo durante o tempo que viveu na selva, dava um jeito de acompanhar o Norusca, tradição que começou durante sua infância.
Sem segurar as lágrimas, o torcedor garante estar otimista. “Perdemos a batalha, mas não a guerra. Tenho certeza que, um dia, vamos voltar para a elite do futebol paulista”.
E o marido?
Kelly Cristina Lima, 28 anos, é outra fanática pela Maquininha Vermelha. Ela conta que deve até seu casamento ao Noroeste. “Foi por causa do time que a gente se conheceu. Nosso ensaio fotográfico foi feito aqui no estádio (Alfredo de Castilho)”.
Apesar disso, Josinei de Lima, 23 anos, foi “deixado de lado” pela esposa na manhã de domingo. Em comum acordo, é claro, ela preferiu assistir ao jogo do Alvirrubro à partida do Cometa Azul Real, equipe da qual seu marido é goleiro pelo Campeonato Amador.
“A tristeza é muito grande, mas a gente não pode abandonar. Mesmo sem valer nada, eu sofro e fico angustiada”, disse, enquanto o Norusca ainda liderava o placar.
Vácuo
Aos 78 anos, o aposentado João Borges Filho conta que jamais imaginou ver o time em uma situação como a atual. Ele já foi diretor do Norusca e faz um apelo para que as categorias de base recebam a atenção do Noroeste e dos empresários de Bauru. “A cidade precisa retribuir as alegrias que o time já proporcionou”.
O que mais entristece Borges, porém, é o vácuo de quase um ano sem jogos da equipe na categoria principal, já que o rebaixamento para a Série B (ou quarta e última divisão estadual) tirou o Alvirrubro da Copa Paulista de 2014. “Isso é o que mais machuca. É como perder alguém da família”.
Mas a torcida é fiel. O casal de comerciantes Ulisses e Márcia Maria Cristianini, 59 e 60 anos, acompanham todos os jogos do time e garantem que a tradição nunca morrerá.
De virada
O último jogo do Norusca pela Série A-3 não serviu ao menos para consolar a tristeza da torcida, que se irritou com as músicas carnavalescas tocadas durante o intervalo entre o primeiro e o segundo tempo.
Os habituais 15 minutos se estenderam em função do deslocamento da ambulância do estádio, para levar ao hospital o jogador Sthanner, do Votuporanguense.
No primeiro tempo, os jogadores do – praticamente já desmontado - Noroeste não marcaram. Mas a equipe saiu na frente por causa do gol contra feito por Serginho.
A virada do time de Votuporanga veio no segundo tempo, primeiramente com o gol de pênalti de Marcão e, depois, com tento anotado por Marcelinho.
O clima esquentou nos minutos finais da partida. Os poucos torcedores do time de fora não pouparam provocações aos jogadores do Noroeste. O técnico Vitor Hugo foi expulso do campo após desentendimentos com a equipe de arbitragem.
Em seu jogo de despedida, o Alfredão recebeu 53 pagantes na manhã de ontem e a renda foi de “apenas” R$ 420,00.
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