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A idade do crime

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

O mundo moderno, asfixiado pela globalização e informações virtuais, transformou o perfil do homem do século vinte e um. Vale recordar que criança era considerado o indivíduo de até 12 ou 13 anos, período em que meninos e meninas começavam a largar os brinquedos e gradativamente passavam para a adolescência de forma natural, acenando para a infância que se exauria. Era época em que os pais entregavam a cravelha do portal da responsabilidade aos jovens como prova de confiança na educação oferecida. Há atitudes que podem sofrer mudanças de acordo com modismos, porém a consciência dos valores, o respeito aos limites e direitos do outro devem ser inerentes, tal segunda pele, o que independe do tempo.

A transformação não é estática e as etapas do desenvolvimento devem acontecer de forma gradativa, sempre agasalhada pelo olhar dos responsáveis. Ideologias caóticas que visam pulverizar a família com o afastamento das crianças dos lares é ato condenável, pois aniquila a infância, forma jovens sem limites e adultos violentos, sem preparo para viver socialmente. E, para amenizar tais resultados, a maneira de ludibriar a sociedade é camuflar a precariedade do processo educativo com leis protecionistas, pois é mais fácil permitir que corrigir.

Considerar incapaz o adolescente que agride, violenta e mata é avalizar e estimular o crime. O que torna o crime hediondo são os requintes de crueldade onde a maldade é maquiavélica e consciente, logo, ninguém mata por inocência, mas sim por decisão própria e intenção de o fazer. Quem pode participar do destino da Nação através do voto, quem pode frequentar baladas noturnas, ingerir bebidas alcoólicas, ter vida sexual intensa, adquirir bens de consumo, não pode ser considerado inimputável! Muitos teimam em condecorar menores assassinos com a láurea da ingenuidade infantil, quando justo seria não atrelar a pena à idade do autor, mas ao teor do crime praticado! Pois para matar é preciso ser capaz.

Se grande parte da infância brasileira vive no abandono, excluída da sociedade, é porque há algo de podre no reino tupiniquim! A farta arrecadação é surrupiada entre aplausos e aclamações sob a égide da esperteza, enquanto as mãos que assaltam os cofres públicos utilizam os rebotalhos para oferecer pão e circo, colares de miçangas coloridas e muito apito à milhões de brasileiros! Cego é aquele que não quer ver! Mataram a velha ditadura, porém, silentes e ardilosos, engordam a nova, tudo por entre a penumbra tosca da enganação mórbida!

A autora é professora, advogada, pedagoga, psicopedagoga e autora de Anjinho de Procissão

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