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Páscoa: a negação da morte

José Marta Filho
| Tempo de leitura: 2 min

Das três grandes religiões que acreditam em um único Deus (Cristianismo, Islamismo e Judaísmo ) a Páscoa é celebrada pelo Judaísmo - que lembra quando os hebreus foram escravizados no Egito por 300 anos, e Moisés os libertou no êxodo para a Terra Prometida, dando forma ao Judaísmo ? e pelo Cristianismo - Jesus estava em Jerusalém para comemorar a Páscoa, 1.250 anos depois do êxodo, quando foi preso e crucificado -; isso ocorreu durante a semana da Páscoa, por isso a Sexta Feira Santa coincide com a Páscoa, o que torna o Judaísmo e o Cristianismo muito próximos. A outra religião monoteísta, o Islamismo, acredita em um só Deus, mas o êxodo, a Páscoa, não faz parte de sua tradição.

A Páscoa é o mais importante dia comemorativo no calendário do Cristão. A festa da Páscoa é uma ocasião alegre que celebra a ressurreição de Cristo dentre os mortos. Para o Cristão, dá a certeza de que a vida não termina aqui com a morte. Seria muito triste sem ela. O sentimento de desamparo, de abandono nos infundiria puro terror. No ponto mais alto da fé cristã existe júbilo porque se compreende que este mundo é de Deus e, uma vez que tudo está nas mãos d?Ele, um dia ressuscitaremos, pela morte de Cristo. Com a Páscoa acaba a ideia da morte eterna e o medo que ela nos inspira. Cristo, numa atitude heroica de coragem e sabedoria dá sua vida pela vida de todos. Aqueles que não possuem essa fé convivem com o dilema existencial da finitude do ser humano, numa condição paradoxal, possibilitada pela presença de uma consciência dilacerada com o fardo experiencial humano, incapaz de suportar o peso esmagador de uma realidade que parece - mais do que indiferente,- hostil aos seus sonhos e expectativas. Sobram-lhes duas divisões: a consciência da busca de esplêndida e ímpar situação de destaque na natureza - dotado de uma dominadora majestade - e a certeza de voltar ao interior da terra, uns sete palmos, para cega e mudamente apodrecer e desaparecer para sempre. Viver num dilema desses, e conviver com ele, é assustador. No fundo, é se sentir frágil, impotente, ignorante, sem a força necessária para tornar-se o deus que desejaria ser.

O melhor estilo de vida, até para amenizar sofrimentos existenciais desnecessários, leva à aceitação da existência de Deus e da fé, com viver sem perturbação pelo terror da incerteza, sem o desespero da finitude e da infinitude ? relacionados, respectivamente, ao fator corporal limitante e ao fator espiritual, expansivo e ilimitado, da síntese humana. Nessa Páscoa adoremos o "Jesus vivo" que, pela cruz nos deu a vida, A cruz está vazia simbolizando a ressurreição de Jesus. Jesus ressuscitou para nós. Ele não morreu "para" nós, ele morreu "por" nós.

O autor é doutor pela Unesp e reitor do Unar

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