Forças ucranianas mataram até cinco rebeldes pró-Moscou ontem enquanto se aproximavam de um refúgio militar separatista no leste da Ucrânia, e a Rússia, em resposta, deu início a exercício militares perto da fronteira, exaltando os temores de que tropas russas possam intervir na região.
Sob um acordo internacional assinado em Genebra na semana passada, grupos armados ilegais na Ucrânia, incluindo rebeldes que ocupam dezenas de prédios públicos no leste predominantemente russófono, devem entregar as armas e se retirar.
Mas os militantes não demonstraram sinais de retirada e ontem o Ministério do Interior ucraniano disse que suas forças, com apoio do Exército, removeram três postos de controle operados pelos grupos armados na cidade de Slaviansk, controlada por separatistas.
“Durante o confronto armado, até cinco terroristas foram eliminados”, disse o ministério em comunicado, acrescentando que uma pessoa ficou ferida do lado das forças do governo.
Uma porta-voz dos rebeldes em Slaviansk disse que dois combatentes morreram em um confronto na mesma área, a nordeste do centro da cidade.
Jornalistas viram um destacamento militar ucraniano com cinco veículos blindados para transporte de tropas tomar um posto de controle em uma estrada ao norte da cidade ao final da manhã, após o local ter sido abandonado por separatistas, que atearam fogo a pneus enquanto se retiravam.
No entanto, duas horas depois as tropas se retiraram e não ficou claro se Kiev arriscaria invadir Slaviansk, cidade que se tornou o refúgio dos rebeldes.
Rússia inicia exercícios militares
A Rússia começou a realizar exercícios militares perto da fronteira com a Ucrânia ontem, em resposta às operações das forças ucranianas contra os separatistas pró-russos e aos exercícios da Otan no Leste Europeu, disse o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, à agência de notícias Interfax.
“O sinal verde já foi dado pelas autoridades (de Kiev) para o uso da força contra civis”, disse ele.
“Se esta máquina militar não for detida, vai levar a um maior número de mortos e feridos. Exercícios planejados pelas forças da Otan na Polônia e nos países bálticos também não promovem a normalização da situação em torno da Ucrânia... Somos forçados a reagir a tal evolução da situação”.
Segundo o ministro, batalhões de grupos táticos de distritos militares do sul e do oeste vão começar exercícios em regiões da Rússia que fazem fronteira com a Ucrânia e a Força Aérea realizará voos para treinamento ao longo das fronteiras.
Obama fala em mais sanções
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que mais sanções podem ser aplicadas contra a Rússia se o governo russo não cumprir os termos de um acordo fechado em Genebra na semana passada para reduzir as tensões na Ucrânia. “Até agora, pelo menos, temos os visto sem cumprir o espírito ou a letra do acordo, em Genebra”, disse Obama em entrevista coletiva conjunta após reunião com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.
“Nos preparamos para a possibilidade de aplicar sanções adicionais”, acrescentou.
Obama disse que a Rússia pode evitar novas sanções se mudar de rumo, mas afirmou que as evidências até agora não o deixam esperançoso de que Moscou irá seguir outro caminho.