Quioshi Goto |
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Deputada Mara Gabrilli esteve ontem em Bauru, para evento no Centrinho |
Qual o perfil ideal de um candidato a vice? Para a disputa pelo Palácio do Planalto, o PSDB pode apostar em uma mulher, engajada na causa pelos direitos da pessoa com deficiência, tetraplégica há 20 anos, por conta de um acidente de trânsito. A deputada federal por São Paulo Mara Gabrilli (PSDB) esteve ontem em Bauru. Apesar de ainda não ter recebido um convite formal, já foi avisada pelo senador Aécio Neves (PSDB) de que precisam conversar.
A tucana vem sendo apontada como a mais cotada para o posto de vice do pré-candidato à Presidência da República. Seu nome, inclusive, seria o preferido de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mentor da agenda eleitoral do mineiro.
“Eu fico muito lisonjeada. Acho que é o reconhecimento do trabalho”, admite Gabrilli. Ela garante, porém, que ainda não teve qualquer contato formal com Aécio ou com o ex-presidente sobre o assunto.
Presidente tetra
Mara afirma que nunca almejou ocupar o cargo de vice-presidente em função do trabalho específico que desenvolve na política. “É muito diferente. O Aécio, por exemplo, tem anos de militância. Deve sonhar com o cargo há pelo menos 15 anos. Se ele viaja, eu viro presidente. Já pensou em uma presidente tetra?”.
Apesar disso, não descarta a possibilidade. “Preciso pensar. Não entrei na política para fazer articulação apenas por fazer. Se rolar o convite e me permitirem fazer o meu trabalho, posso aceitar”, pontua.
A deputada conta que ficou sabendo sobre a possibilidade por meio de notícias em veículos de comunicação.
“Por enquanto, não está em minhas mãos resolver. Eu fico lendo nos jornais, só que a discussão ganhou uma discussão muito grande”, comenta.
Gabrilli já foi secretária estadual da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, entre 2005 e 2007. Também foi vereadora na cidade de São Paulo e, em 2010, conquistou uma cadeira na Câmara Federal.
Mudança
Sobre o cenário eleitoral, Mara Gabrilli avalia que, neste momento, as pessoas estão clamando por mudanças. Segundo a tucana, a sensação é de que o Brasil precisa sair da estagnação.
“A forma como o País tem sido gerido é imediatista. As coisas são feitas sem planejamento. Temos o Bolsa Família. Agora, criaram meios para que todo mundo compre eletrodoméstico. Só que ninguém pensa nos investimentos necessários para setor energético. Daí, se não chove, o Brasil para”.
Inclusão
Mara Gabrilli participou, nesta sexta-feira, do X Encontro da Rede Profis e XIV Encontro Nacional de Associações de Pais e Pessoas com Fissura Labiopalatina. No Centrinho da USP, a deputada federal explanou sobre a Lei Brasileira de Inclusão. Ela é relatora do projeto, que já tramita no Congresso há 14 anos.
Segundo a tucana, trata-se da regulamentação da convenção da ONU sobre Pessoas com Deficiência, ratificado pelo Brasil. “Esse documento tem peso de norma constitucional. Mas as diretrizes são macro e, por isso, precisam ser especificadas para saírem do papel”.
O projeto deve ser colocado na pauta da Câmara Federal no mês que vem e, depois de aprovado, será encaminhado para o Senado. “Falamos sobre previdência, benefícios, educação, saúde, infraestrutura, direitos, trabalho, esporte e cultura”.
Um dos pontos mais polêmicos é o que transfere para os municípios a responsabilidade sobre as calçadas. Atualmente, o Estatuto das Cidades atribui essa obrigação aos proprietários dos imóveis.
“Às vezes, as pessoas são muito humildes. Não têm dinheiro para comprar comida ou pagar a conta de água e, ainda por cima, precisam fazer calçada?”, questiona.
Como vereadora, Gabrilli já transferiu essa responsabilidade para a Prefeitura de São Paulo, nos casos onde há pontos de serviço. “Mas o prefeito faz na velocidade dele. Por isso, no nosso texto, os governantes podem responder por improbidade administrativa”.
