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Portal da descoberta

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Alcaraz e Coleman, dois craques do Everton, botaram a bola para dentro ontem no jogo com o Southampton pelo Campeonato Inglês. Só alegria para o... Southampton. Os dois gols foram contra.

Uma espécie de gelo que queima e toma conta de qualquer um de nós no instante exato do erro. Ocorre naquela fração de segundo quando tomamos a imediata consciência da coisa torta e incorrigível.

Errar é um sofrer instantâneo, mas também lição. Com um pouco de inteligência e frieza, aprende-se mais com um erro do que com um elogio. A diferença é que o elogio faz bem na hora. Já aprender com um erro, às vezes, leva anos.

No jornalismo diário estamos a todo momento com o erro ali no canto da sala, a nos fitar com olhos vermelhos de vontade. Mas, sem o erro, a vida toda seria uma farsa. Fora que só erra quem faz, não é?

Já convivi, em ambiente corporativo, com gente que some na hora de abraçar uma responsabilidade. Quem se esconde no sótão do medo não vai errar justamente porque não vai fazer. Cabe a quem faz, ao errar, vislumbrar qual o ensinamento tirar daquilo. "Que venham novos e professorais erros, mas não esse que acabei de cometer".

Autor de "Ulisses", o romancista "irlandês meio francês", James Joyce (1882/1941) teria dito que "erros são os portais da descoberta". É a verdade para quem adota tal postura, ao mesmo tempo ousada e humilde, de avançar após o escorregão. De assimilar o aprendizado da queda. Aprender com os erros, enfim, revela-se a coisa mais certeira a se fazer nesse nosso redondo mundo errado.

O autor é editor executivo do Jornal da Cidade

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