Geral

Furtos de veículos aumentam 79%

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 6 min

O índice de furtos de veículos em Bauru tem crescido a cada ano, impulsionado, inclusive, pelo aumento da frota. De acordo com o levantamento mais recente feito pelo 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), foram registrados 192 casos no primeiro bimestre deste ano, contra 107 no mesmo período do ano passado. O crescimento é de 79%.

Ainda assim, muitos motoristas continuam não se preocupando com segurança. Quando não estacionam em locais ermos, deixam equipamentos eletrônicos ou outros objetos de valor que chamam a atenção no interior do veículo. O tempo que você gastou lendo essas frases é o tempo que um bandido levaria para furtar o seu carro ou sua moto.

Entre as regiões que apontam índice crescente desta modalidade de crime estão as zonas Oeste/Noroeste de Bauru, até então consideradas entre as mais tranquilas. Apesar do aumento, os números mostram que a área Centro/Sul continua sendo o foco principal da ação dos criminosos, que somente nos dois primeiros meses deste ano totalizou 87 registros.

Em seguida aparecem as zonas Norte/Leste e Sudeste, que juntas, totalizaram 66 furtos de veículos em 2014, 36 a mais que no ano anterior (confira no gráfico acima).

Perfil

Na avaliação da Polícia Militar, os furtos na região Centro/Sul de Bauru ocorrem por oportunidade, especialmente no início da noite aos finais de semana à noite.

“Essa é a área onde as pessoas trabalham e se divertem e onde há maior concentração de veículos, principalmente os de duas rodas. Na maioria das vezes, esse furto ocorre como alavanca para outros crimes, como roubo e tráfico de drogas. Ou então, no caso dos de quatro rodas, para facilitar o furto de objetos do interior”, aponta o coordenador operacional do 4º BPM-I, major Alan Terra.

Já nas outras regiões, Norte, Leste, Sudeste, Oeste e Noroeste, consideradas periféricas, a predileção dos bandidos seria por veículos mais antigos.

“Identificamos que há prevalência por veículos de quatro rodas que já saíram de linha ou de difícil encontro de peças que, geralmente, são utilizados para subtração e abastecimento do mercado ilegal feitos até por encomenda”, explica o major.

As motos populares de 125 a 150 cilindradas e carros como VW/Gol e Fiat/Uno, nos modelos antigos, estariam entre os principais alvos de furtos nos últimos meses, conforme a PM.

“As pessoas ainda desconsideram a prevenção primária. Nas periferias, por exemplo, muitos deixam veículos estacionados na rua por falta de garagem, outros, chegam a deixar o carro aberto e, inclusive, com a chave no contato”.


Exportação de peças?

Apesar da suspeita de um mercado paralelo de peças atuante, para a PM, os motivos que levam a este aumento em Bauru ainda são uma incógnita.

“Houve uma explosão dessas ocorrências em todo o Estado. Estamos tentado descobrir os motivos, afinal, a frota aumentou, mas não nessa proporção. 200% em apenas uma área é muita coisa”, aponta o coordenador operacional do 4º BPM-I, major Alan Terra. “Pode ser que o comércio ilegal de peças esteja prosperando, mas não sabemos se, na cidade ou na região. Essas investigações, porém, transcendem o município e isso dificulta bastante o trabalho da polícia”, reforça o major.

A suspeita é reforçada pelo delegado seccional Ricardo Martines. Ele descarta, no entanto, que os furtos estejam abastecendo desmanches ilegais em Bauru.

“Temos feito visitas aos desmanches e oficinas legalizados da cidade e não encontramos irregularidades criminais, apenas administrativas. Então, se isso existe, deve estar abastecendo um mercado fora da cidade”, comenta o seccional.

Para se ter ideia da dimensão do problema, por ser o crime que mais cresceu nos últimos anos em médias e grandes cidades, o furto de veículos, se transformou na principal preocupação da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP). “As subtrações de veículos ultrapassaram a preocupação da secretaria com as mortes violentas que, de certa forma, estão dentro da média mundial, e estão sendo o maior alvo em estudo pelo Estado, neste momento”, comenta o major da PM.


À moda antiga

Em conversa com policiais militares, a reportagem apurou que não há novidade na modalidade dos furtos de veículos que acontecem na cidade. Vidros quebrados, chave mixa, portas amassadas aos cantos para chegar à trava e invasão do capô pela proteção próxima ao para-brisa para desligar o alarme. São essas as técnicas utilizadas pelos bandidos para procederem com o furto na maioria dos casos.

“Existem várias formas de evitar isso tudo hoje. Temos insulfilm, por exemplo, que aguenta quase 30 quilos em impacto e não custa tão caro quanto uma blindagem. Outro exemplo, que também ajuda a evitar é a instalação de alarme com extensão nos capôs e nos porta-malas, no caso dos carros sedans”, alerta Felipe Hokama (foto), de uma empresa de acessórios automotivos em Bauru.


80% da frota furtada é recuperada pela polícia

Uma questão que tem chamado a atenção das polícias Civil e Militar é que, do total de furtos registrados, ao menos, 80% dos veículos são encontrados dias ou horas depois.

“Isso prova que o que está sendo furtado não são os veículos, mas sim os acessórios”, ressalta o delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines. Segundo ele, a informação descaracteriza a suspeita de atuação de desmanches clandestinos no próprio município. “Pelo alto índice de recuperação, entendemos que os furtos não são para abastecer desmanches em Bauru.”

O coordenador operacional do batalhão frisa que a maioria das localizações ocorre em bairros periféricos e próximos às rodovias da cidade.

“Bauru fica no centro de um eixo rodoviário muito importante, o que facilita o tráfico de peças. E 80% dos veículos que são localizados sempre estão com peças faltando”, enfatiza o major Alan Terra.

A descoberta de desmanches ilegais, contudo, depende de denúncias da própria população. “O mercado ilegal é um círculo vicioso e que alimenta a criminalidade. Hoje a pessoa compra uma peça furtada, mas amanhã ela pode ser vítima do furto”, completa o major.


Seguro

Outra dica que pode amenizar a dor de cabeça dos motoristas, não só vítimas de furtos, mas de acidentes e outros problemas, é a realização de seguros de veículos por meio de corretores especializados. “Acreditando em vantagens por meio da aquisição de seguros online ou por bancos, muitas pessoas acabam ficando na mão quando precisam. O melhor caminho e mais econômico é sempre o corretor. Prestamos assistência 24 horas e tornamos tudo mais prático para o cliente”, defende Fernando Alvarez, diretor do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor) de Bauru.

Segundo ele, somente o corretor de seguros é devidamente habilitado para comercializar esse tipo de contrato de serviço, seja qual for o canal utilizado. “Outros setores que vierem a vender produtos securitários estarão agredindo o consumidor, que não contará com um profissional realmente especializado, que conhece os trâmites técnicos dos seguros.


Ao longo de sete anos, motocicleta é furtada e localizada três vezes

“É a saga da moto que vai e volta sem o retrovisor”. A situação já virou até piada para a bióloga Marília Gonçalves da Silva, de 28 anos, mas integra a realidade preocupante do alto índice de furtos de veículos registrados nos últimos anos em Bauru.

Em sete anos, a motocicleta dela, uma Honda/CG azul, foi furtada e localizada por três vezes. “Uma vez ela foi levada do estacionamento da universidade, outra da frente da casa do meu amigo e a última, em frente ao meu trabalho. Todas as vezes ela foi encontrada no mesmo dia pela polícia e sem o retrovisor”, comenta.

O último caso teria acontecido justamente na área que lidera o número de registros, o Centro da cidade. Minutos após estacionar em frente a um hospital, na rua Monsenhor Claro, ela voltou ao local e notou o desaparecimento. “Pouco mais de uma hora depois, fui informada que ela havia sido encontrada com um rapaz que tinha uma chave mixa, na avenida Luis Edmundo Carrijo Coube”, finaliza.

Éder Azevedo

Felipe Hokama, de uma empresa de acessórios automotivos em Bauru, cita exemplos que podem evitar a conclusão do furto

 

Comentários

Comentários