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Privacidade deletada

Jorge Rufino
| Tempo de leitura: 2 min

Na esfera do mundo globalizado, as tecnologias inovadoras de comunicação, das quais a internet é apenas uma, oferecem velocidade, direcionamento e repetição de mensagens quase sem custos. A globalização inclui não apenas a redução de barreiras comerciais, mas também um lembrete das poderosas transformações sociais, econômicas, políticas e culturais que estão em curso nas economias de mercado em todo o mundo. No centro de tudo isso, podemos enxergar uma sociedade complexa e dialética, impregnada por essa nova cultura ? da informática, da rapidez ? que provoca mudanças no nível macro ? sistema social global ? , no nível micro ? organizações ? e no homem como indivíduo.

No entanto, vale ressaltar que em tempos de excitação tecnológica, conforme explica o doutor em sociologia Dominique Wolton, o excesso de informação dificulta a comunicação e o seu entendimento torna-se difícil por conta das suas diferenças. Assim, de toda essa discussão, depreende-se a importância que deve ser atribuída àqueles que acreditam que a internet é a solução para a comunicação: o uso desta ferramenta não substitui o contato físico, ou seja, a verdadeira comunicação. A globalização apresenta um cenário transformador, cabendo às sociedades adaptarem-se com rapidez para a continuidade do seu desenvolvimento.


Assim sendo, é inegável a velocidade com que as informações trafegam, tanto por canais formais quanto informais. As tecnologias da informação estão integrando o mundo em redes globais de instrumentalidade. Sobre isso, o sociólogo Manuel Castells destaca que "uma revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação começou a remodelar a base material da sociedade em ritmo acelerado". A internet e as redes e mídias sociais digitais, por exemplo, permitem que qualquer pessoa possa transmitir um fato acontecido em poucos segundos na rede.

Podemos dizer, portanto, que essas mudanças significativas estão redefinindo as fronteiras entre o público e o particular e, atualmente, a informação penetra cada vez mais no espaço privado. Com o advento das redes sociais, o limite entre público e privado ficou ainda mais tênue. Praticamente impossível. Em redes como o Facebook, não se faz uma classificação criteriosa de quem pode ver suas imagens e comentários, qualquer um tem acesso à intimidade de sua família, seus pensamentos, sua rotina. E, para piorar, nem todos sabem usar tais redes de modo que sua privacidade seja protegida.

O facebook surgiu para conectar pessoas e estreitar relacionamentos, não para devassar a privacidade. É um preço alto demais a se pagar para usar uma novidade tecnológica aparentemente inofensiva quanto às redes sociais. Mas, como é notável, diferentemente do relacionamento olho no olho, que é forte e duradouro, esse tipo de relacionamento é considerado um relacionamento frágil, descartável e superficial. Por esse motivo, o relacionamento humano torna-se uma problemática na era em que pais e filhos são amigos apenas nas redes.

O autor é estudante de relações públicas

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