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Após poda, área pode perder seu guardião

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A poda de três árvores em uma área pública verde, feita pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), há cerca de duas semanas, gerou polêmica no Mary Dota. Guardião da área há 12 anos, inclusive com documento de adoção do local, o mecânico aposentado Luiz Antônio Santos, de 52 anos, ameaça abandonar o espaço.

Antes de ser cuidada, a área, que está localizada na quadra 2 da rua Maria Elísia Nogueira de Oliveira, era uma espécie de lixão no bairro. Luiz Antônio alega que a companhia teria realizado uma poda drástica nos pés de Fícus e cobra a fiscalização e responsabilização por parte da Prefeitura Municipal.

“Se a Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) não os responsabilizar pelo que fizeram, eu vou largar tudo. Eles estragaram a poda ornamental e a nossa sombra. Pago caro, cerca de R$ 50,00 para manter essa poda em cada árvore. Isso foi um crime”, afirma o morador, que registrou por meio do celular imagens das equipes da CPFL no local no dia da poda.

Além do prejuízo material, Luiz conta o apego e o valor sentimental que possui pela área verde em questão. “Eles destruíram 12 anos de trabalho e de investimento em poda ornamental, silenciosamente. Me senti um fracasso. Cuido daquele lugar desde que meu pai faleceu, ali era um lixão. Eu duvido que aquela poda esteja regular”, critica o morador, emocionado, prometendo se mudar do local.

No mesmo dia em que a poda ocorreu, Luiz conta que, após conversa com as equipes no local, entrou em contato com a CPFL e com a Semma para reclamar e tentar saber os motivos que levaram a tal poda. No entanto, nenhum dos órgãos teriam respondido.

“Abri um protocolo na prefeitura e estou aguardando. Em contato com a companhia, eles me disseram que eu poderia reclamar e que isso não daria em nada”, diz o morador.

Outro lado

A CPFL Paulista informou que enviará uma equipe de campo para verificar se a poda segue os padrões internos para a realização desses serviços.

“A empresa esclarece que realiza somente podas emergenciais para evitar riscos de danos à rede elétrica que possam comprometer a segurança das pessoas e o fornecimento de energia ou então quando há solicitação de órgãos municipais responsáveis”, diz a assessoria de comunicação da companhia.

Ainda segundo a CPFL, critérios técnicos são seguidos para evitar agressões desnecessárias às árvores. “Engenheiros, técnicos e eletricistas da CPFL e de empresas terceirizadas recebem informações teóricas e práticas para executar a poda de maneira correta. Os trabalhos são monitorados pelos especialistas em meio ambiente da empresa”, frisa a empresa.


Semma avaliará regularidade da poda

Em contato com a reportagem, o secretário municipal do Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves da Silva, informou que, anualmente, a prefeitura emite uma autorização para a CPFL Paulista permitindo a poda de árvores na cidade de forma a proteger a fiação.

“Isso acontece há alguns anos porque os proprietários não se responsabilizavam pelos danos provocados pelas árvores na rede. Então, damos à CPFL a permissão para agir até preventivamente. Eles têm treinamento da Semma para isso e buscamos sempre acompanhar os trabalhos”, comenta o secretário. Valcirlei admite, no entanto, que a pasta já chegou a notificar a companhia por conta de podas irregulares no passado. “Mas, neste ano, não registramos nenhuma ainda”, defende Valcirlei.

Mesmo assim, o secretário promete que enviará uma equipe, já amanhã, para o local com objetivo de avaliar a regularidade da poda realizada na área pública verde do Mary Dota.

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