Regional

CEI aponta suposta negligência

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.

Câmara de Agudos abriu Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar eventuais descaso e negligência de médicos no PS

O relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) aberta pela Câmara de Agudos (13 quilômetros de Bauru) para apurar eventuais descaso e negligência por parte de médicos do Pronto-Socorro (PS) e irregularidades na Associação do Hospital de Agudos (AHA) foi aprovado ontem por unanimidade. As informações coletadas pelo grupo durante meses de investigações serão encaminhadas ao Ministério Público (MP).

Segundo o relator da CEI, vereador Glauco Luis Costa Ton (PMDB), o Glauco Batata, depoimentos de testemunhas e documentos reforçaram as denúncias que a Casa já havia recebido. “A gente descobriu vários médicos que não faziam o plantão total, alguns até que recebiam e nem por lá passavam. Esses médicos já foram demitidos do quadro”, revela.

O parlamentar alega que parte do dinheiro repassado pela prefeitura mensalmente ao hospital para manutenção do PS era usada para outras finalidades. “A prefeitura sempre repassou em dia valores consideráveis e a diretoria do hospital não aplicava no Pronto-Socorro esses recursos”, diz. “Teve óbitos por falta de atendimento, por negligência médica”.

De acordo com Glauco Batata, funcionários do hospital teriam sido pagos com dinheiro que deveria ter sido aplicado em serviços de urgência e emergência. “Tinha 16 funcionários do hospital que eram pagos com dinheiro do repasse ao Pronto-Socorro. E esses funcionários prestavam serviço para o hospital, e não para o PS”, denuncia. A reportagem solicitou à Câmara cópia do relatório final da CEI, mas, até o fechamento desta edição, o documento não havia sido enviado.


‘Fantasmas’

O relator explica que a CEI também apurou denúncia feita em dezembro pelo provedor do Hospital de Agudos, Sérgio de Abreu Camargo. Na ocasião, ele revelou que 20% dos R$ 430 mil repassados todo mês para manter o PS era usada para pagar profissionais indicados pela prefeitura, entre eles um médico veterinário e um morador de outro País.

“A gente apurou que esses profissionais realmente prestavam serviço e tinha esse acordo com a diretoria do hospital. Esses profissionais estavam nos postos de saúde, exceto essa moça que foi viajar, Até o veterinário que era pago com o dinheiro que ia para lá prestava serviço no caso de leishmaniose. Esse veterinário fazia esse acompanhamento”.

Para o parlamentar, o pagamento de servidores da prefeitura com verba do PS era “um acordo do provedor com o prefeito da época”. “Esse pessoal realmente trabalhava na rede municipal de saúde. Quando nós descobrimos, imediatamente a gente falou com o prefeito e houve a demissão. Eles (hospital) também fizeram a demissão do pessoal”. O provedor do Hospital de Agudos informou que, por orientação de advogado, preferia não se manifestar sobre o caso. Segundo ele, as denúncias já são investigadas pelo MP e Ministério Público Federal (MPF). Camargo disse que os funcionários do hospital pagos com recursos do PS também atendiam no setor de urgência e emergência.

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